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Record lança “A little life”, um dos finalistas do Man Booker Prize, em 2016

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O romance “A little life”, da escritora americana Hanya Yanagihara, acompanha as trajetórias de quatro amigos de faculdade, que crescem, evoluem, atingem o sucesso, mas ainda precisam lidar com traumas do passado. A obra é uma das seis finalistas do prêmio Man Booker Prize deste ano, e será lançada pela Record no primeiro semestre de 2016.

A trama segue as vidas dos quatro personagens ao longo de algumas décadas: Willem, um belo e gentil aspirante a ator; JB, um pintor nascido no Brooklyn; Malcom, um arquiteto frustrado; e Jude, um homem brilhante e enigmático que é o elo entre todos eles. É ele também o dono de um terrível trauma de infância, atormentado pela angústia e com dificuldades de seguir em frente.

Os outros concorrentes ao Man Booker Prize são os britânicos Sunjeev Sahora (“The Year of the Runways”) e Tom McCarthy (“Satin Island”); a americana Anne Tyler (“A Spool of Blue Thread”); o nigeriano Chigozie Obioma (“The Fishermen”); e o jamaicano Marlon James (“A Brief History of Seven Killings”). O vencedor será conhecido no dia 13 de outubro.

“A little life” é o segundo romance de Yanagihara e recebeu muitas críticas entusiasmadas da imprensa americana.

 Um testemunho do sofrimento humano levado aos limites, construído em detalhe extraordinário por uma prosa fascinante. Por meio de detalhes perspicazes e sua avaliação década a década das vidas de seus personagens, Yanagihara desenhou um profundo estudo de personagens que inspira ao mesmo tempo em que devasta. É a vida como a de qualquer pessoa, mas nas mãos de Yanagihara é também sensível e grandiosa, comovente e transcendental; nunca uma vida pequena de todo.” (Washington Post)

A autora conversou com o site Electric Literature sobre o livro. Veja algumas de suas respostas:

“A little life” é centrado na amizade de quatro homens, e seu livro anterior, “The people in the trees”, também girava basicamente em torno de personagens homens. Você já disse antes que homens normalmente têm um vocabulário emocional menor que o das mulheres. Pode falar mais sobre isso e por que escolheu escrever principalmente sobre homens?

Hanya Yanagihara: Meu melhor amigo – que é um homem de tremenda profundidade emocional e inteligência – discorda de mim neste ponto. Mas acho que homens, quase uniformemente, não importa sua raça, cultura, religião ou sexualidade, são equipados com uma “caixa de ferramentas emocional” muito mais limitada. Talvez não seja endêmico. Mas não conheço nenhuma sociedade que encoraje os homens a colocar os sentimentos em palavras, e muito menos expressar esses sentimentos – que as mulheres acabam tendo que adivinhar. Talvez isso esteja mudando com os homens mais jovens, mas às vezes ouço meus amigos homens falarem, e posso entender que o que eles estão tentando comunicar é medo ou vergonha ou vulnerabilidade, mesmo que eles não saibam nem dar nome a essas emoções, muito menos discutir suas especificidades. Eles falam superficialmente, não profundamente. (…)

Como escritora, é uma dádiva – e um desafio interessante – escrever sobre um grupo de pessoas limitado desta maneira (e que por acaso é metade da população mundial). A amizade masculina, quer dizer, a amizade entre homens, é em sua natureza diferente daquela entre duas mulheres ou entre um homem e uma mulher. Em “The people in the trees”, alguém poderia dizer – e eu também – que o narrador, Perina, se comporta daquele jeito por causa de uma grotesca e equivocada interpretação da solidão. Tive a intenção de que ele fosse um personagem ingênuo, que confundisse perversão e amor. Em “A little life”, uma das coisas que mais gostei de explorar na amizade desses homens, que é muito próxima, é que ela também é construída num desejo mútuo de não conhecer realmente muito um do outro. Não digo que é algo bom ou ruim – você não precisa confessar tudo a um amigo para ser próximo dele – mas acho que a amizade entre duas mulheres é mais confessional.

A forma como Jude lida com seu passado foi pensada para ser bem masculina também. Não conheço nenhuma mulher que nunca tenha se preocupado, em algum ponto de sua vida, de que poderia estar em perigo sexual, de que poderia ser atacada. É algo com que crescemos porque, para muitas mulheres, é um perigo real. (…) Homens são atacados também, é claro, mas há uma certa vergonha cercando o tema. Se você é uma mulher e é sexualmente abusada, isso em nada compromete sua feminilidade. Não acho que os homens se sintam da mesma maneira.

(…) Você disse que há uma característica de conto de fadas em “A little life”. Há também uma alusão ao Cristianismo no texto, quase sempre de forma sinistra, já que o primeiro abusador de Jude é um monge. Qual foi sua inspiração para isso, e a que textos e mitologias você faz alusão?

HY: Pensamos em contos de fadas (ou fábulas, etc) como histórias muito simples. Enquanto narrativamente a maior parte delas realmente seja bastante linear e simples, as lições que elas transmitem sobre o mundo e como ele funciona são normalmente mais imprevisíveis do que nós nos damos conta. Muitos outros já escreveram de forma mais brilhante que eu sobre essas histórias, mas vou dizer que, em muitas destas histórias em diversas culturas e países, não há redenção. Às vezes o bom filho é recompensado e a bruxa má é punida, mas muitas vezes eles não são. Ou o que precisa ser superado pelo herói ou heroína é tão terrível e grotesco que a felicidade, normalmente na forma de um casamento ou reencontro, parece quase sem sentido, uma resposta pouco satisfatória.

Este livro se mantém fiel a diversas convenções dos contos de fada ocidentais clássicos: há uma criança em perigo que precisa enfrentar os desafios por conta própria. O período temporal é mais sugerido do que dito. Não há figuras paternais convencionais, especialmente figuras maternas (como muitos contos de fada, espero que este livro seja mais definido pelas suas ausências do que presenças). Mas, ainda assim, diferentemente de um conto de fadas, o livro se preocupa mais com a resposta emocional de seus personagens a esses conflitos do que com as circunstâncias em si. Tentei juntar as especificidades psicológicas de um romance contemporâneo naturalista com a qualidade atemporal de uma fábula.

Comentários
  • Matheus

    Vocês já tem uma data para o lançamento do livro?

  • Renata

    Quando será o lançamento?

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