Palavra de editora

Leiam com seus filhos

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Por Ana Lima

Aos 22 anos eu era mãe. Não sabia cantiga de ninar e cantarolava Legião Urbana e Beatles para o meu filho dormir. Ele foi crescendo e algumas coisas ficaram mais fáceis. Outras complicam quando se é tão nova. É um bebê e uma quase-adulta tentando se entender, e a hora de dormir sempre foi um desafio. Foi quando levei os livros, que já rodeavam a minha vida, para a nossa vida.

Aos 3 anos o Pedro já estava acostumado a me esperar para ler um livro antes dele dormir. O favorito se chamava Filhotes de bolso, e se não me engano contava a história de um senhor que levava seus cachorrinhos no bolso para onde ia. Outro querido era o Grúfalo, bicho feioso mas adorável que rendia boas risadas. O tempo foi passando e as leituras já podiam ser mais longas, era gostoso aguardar que a noite e o próximo capítulo chegassem.

Com 5 anos, ele arriscava as primeiras letras e palavras na alfabetização. Eu estava lendo Harry Potter, ele gostava dos filmes… Por que não? E assim passamos dois anos, de 2005 a 2007, vivendo todos os dias um pouquinho da vida do bruxinho mais famoso de todos os tempos.

Na mesma medida que as histórias ficaram mais sombrias, nós ficamos mais cúmplices – aquele momento do dia era muito especial. Rimos, ficamos com medo, nos surpreendemos e choramos, choramos, choramos (choramos à beça, alguns de vocês devem saber). Criamos um laço muito forte: nós dois e os livros. O som ao virar as páginas, o capítulo marcado para o dia seguinte, esperar o último livro chegar e chegar nossa vez de lê-lo (tinha uma fila na minha casa). Magia. Mais que a magia dos feitiços e das poções, o poder dos livros. Das histórias inesquecíveis que ficam com você para sempre.

Depois do Harry Potter, fui forçada e me afastar, as escolhas seriam dele dali em diante. Há duas semanas viajei e na volta ele me perguntou se eu tinha notado algo diferente no meu quarto. Respondi que não, mas ele me levou até o quarto dele para mostrar todos os livros que havia pegado – Camus, Sartre, Nietszche, Hobsbawn e Vonnegut estão morando em outro lugar agora. E eu estou feliz por ter criado um leitor. Alguém que vai se arriscar em gêneros diferentes, apesar de nunca deixar a fantasia de vez. Alguém que vai amar os livros para sempre.

Esse textão introdutório pode parecer sem propósito, mas estamos vendo o sucesso dos livros da Galera Junior inspirados em Minecraft – Invasão no mundo da superfície e Batalha pelo Nether – e para meninos de 8 a 12 anos, mais ou menos – uma faixa etária considerada “difícil” – nas livrarias. Quando comprei os direitos da série Uma aventura não oficial de Minecraft, me surpreendi com os comentários das mães e dos professores na Amazon – “meu filho leu em 3 dias”, “primeiro livro que meu filho leu, obrigada!”, “ótimo para quem acha que não gosta de ler…” e vi que tínhamos ali algo especial.

Despertar o gosto pela leitura é um desafio. Ler é legal, muito legal. Mas se os primeiros contatos com a literatura não forem estimulantes, é muito provável que isso nunca seja percebido. As crianças precisam se identificar. Sim, também precisam ser desafiadas, incentivadas e apoiadas. Por isso, leiam com seus filhos, para os seus filhos, estimulem que eles leiam mais. Em casa, na escola, nas viagens, nas férias. Cerquem as crianças de livros, histórias e sonhos. Não desistam. Acredito que somos todos leitores, basta uma chance.

Comentários
  • c_i_d_a

    Oi Ana! Eu sou apaixonada por livro. Ler é uma hábito prazeroso que adquiri por incentivo da minha mãe. Quando eu era criança ela comprava gibis, lia para mim e tão logo aprendi a ler, ela passava tardes comigo na biblioteca enquanto eu me aventurava naquelas estantes. Sim, se bem incentivada a criança vai virar um adulto ama ler e muito mais feliz. Bjos!!! Cida (Moonlight Books)

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