Entrevistas

Carina Rissi e o fascínio pelos vilões da literatura

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Por Thaís Britto

A maldade está em alta no terreno da ficção: os vilões, que em grandes histórias da literatura e do cinema costumavam ocupar apenas o posto de antagonistas, têm ganhado voz. Agora, eles são os protagonistas, as grandes estrelas, e muitas vezes contam as histórias de seu ponto de vista, o que humaniza e desconstrói personagens já conhecidos do público. Os exemplos estão em todo lugar. No cinema, o aguardado filme “Esquadrão suicida” é uma história sobre alguns dos maiores vilões do universo da DC Comics. E, recentemente, o longa protagonizado pela bruxa Malévola foi sucesso de bilheteria. No teatro musical, estreou recentemente “Wicked”, no qual conhecemos a história da famigerada Bruxa Má do Oeste, de “O mágico de Oz”. Na literatura os vilões também se sobressaem: entre os mais recentes lançamentos da Record, “Hyde” é narrado pelo monstro do clássico “O médico e o monstro”; já “Moriarty” é focado no conhecido criminoso arquiinimigo de Sherlock Holmes.

E o protagonismo dos vilões continua rendendo: em 2014, a Galera lançou “O livro dos vilões”, no qual quatro autores escreveram pequenos contos inspirados em malvados clássicos da literatura. A escritora Carina Rissi escolheu a madrasta da Branca de Neve. E se empolgou. A experiência deu frutos: agora, Carina escreve uma série para o público juvenil inspirada em vilões conhecidos do público. O primeiro livro, previsto para o fim de 2016, vai estender a história da madrasta contada em “Menina veneno”. Já o segundo, em 2017, será focado no Capitão Gancho, de “Peter Pan”.

Na entrevista abaixo, Carina fala sobre sua relação com os vilões e dá mais detalhes sobre a nova série.

 

Sua relação com os vilões começou com o conto “Menina veneno” de “O livro dos vilões”? Por que você escolheu a madrasta da Branca de Neve para ser sua personagem naquele projeto? O que te atraía naquela personagem?

Profissionalmente, sim. A Malvina foi meu passaporte para o universo da vilania, e eu amei a experiência! A Bruxa Má sempre me fascinou demais. Ela é uma das melhores vilãs de todos os tempos, mas ao mesmo tempo há uma fragilidade nela que sempre me intrigou. Por que uma mulher linda como ela é tão insegura? Isso me fazia pensar em mil possibilidades, e tive a chance de explorar algumas delas com a Malvina.

Mas vou confessar, desde pequena eu tenho uma quedinha por personagens cujo caráter não é muito bem definido.

Você acha que os vilões exercem um fascínio especial sobre o público? Por quê?

Com certeza. E esse fascínio se deve a muitos fatores. Vilões são divertidos, sexys, interessantes, fortes, mas sempre há um calcanhar de Aquiles ou motivações que muitas vezes os redimem. Há uma profundidade e uma loucura intrigante. Eles nos conquistam, e mesmo quando os odiamos não conseguimos deixar de amá-los também.

Concorda que há uma onda de protagonismo dos vilões na cultura pop? Se sim, por que acha que isso acontece?

Concordo sim. Não é exatamente uma novidade, mas tem se intensificado muito nos últimos tempos. Acredito que a complexidade psicológica de um vilão é muito atraente, nos leva a uma analise mais profunda— e certamente mais interessante do que a de um mocinho, onde o lado bom é bem delineado e suas ações previsíveis. Você sabe o que esperar do Superman, mas nunca consegue adivinhar a próxima maluquice de Lex Luthor para conseguir o que quer.

 Você como espectadora ou leitora tem algum apreço especial pelo vilão – ou pela vilã – de alguma história? Tem algum(a) favorito (a)? Qual e por quê?

Eu sou louca pelo Heathcliff, de “O morro dos ventos uivantes”, da Emily Brontë. A cada releitura me deparo com um traço novo de seu caráter. Como não odiá-lo quando a crueza de sua perversidade é escancarada? Como não amá-lo ao perceber a profundidade de seus sentimentos por Catherine? Também estou encantada com o personagem Rumplestiltskin/Sr. Gold, do seriado “Once upon a time”. Ele é um mago inescrupuloso e egoísta, manipulou todo mundo com o propósito de criar uma maldição que daria a ele a chance de reencontrar seu filho. Como não se apaixonar por esse vilão adorável?

Como surgiu a ideia de começar essa nova série?

Foi com o “Menina Veneno” e o retorno que tive. A Malvina agradou muito mais do que eu poderia ter previsto! E, é claro, confesso que trabalhar com um personagem que não dá a mínima para questões morais é deliciosamente tentador. Eu tinha que voltar para este universo.

Pode contar como vai ser a série? Vão ser histórias interligadas ou independentes? Já sabe alguns dos vilões que você vai retratar?

Minha próxima releitura de contos-de-fadas será Peter Pan. O Capitão Gancho é um dos meus vilões favoritos e, sendo bem franca, nunca fui muito com a cara do Peter Pan. Garoto chato, problemático e um tanto perverso demais para ser o herói. (Olha aí! Já entrei na pele do Hook! Rs) Estou ansiosíssima para começar a escrever esta história. Pirataria e vilania. Não podia ser melhor!!

Ainda não sei se um livro vai dialogar com o outro nesta série… A princípio eu diria que o mundo das passarelas da Malvina Neves é muito distante do universo pirata de James Hook, mas tudo pode mudar assim que eu me sentar diante ao computador. ;)

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