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Leia a resenha do The Guardian para “Um ato de bondade”

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O jornal inglês The Guardian publicou, nesta semana, uma resenha do livro “Um ato de bondade”, romance de Polly Samson lançado pela Record no fim de 2015. O texto destaca a narrativa de Polly, que consegue aliar uma escrita sensível à freneticidade de um thriller. A autora esteve no Brasil em dezembro, onde participou do Salão Literário ao lado do escritor Damian Barr e do marido, o músico David Gilmour.

Leia abaixo uma tradução livre do texto, ou sua versão original aqui.

 

“Um ato de bondade”, de Polly Samson – bela prosa, segredos chocantes

O interior idílico da Inglaterra é o cenário de um romance que combina languidez poética com intensidade de thriller

Por Hannah Beckerman

Desde o primeiro capítulo do segundo romance de Polly Samson, “Um ato de bondade”, somos mergulhados num universo rural onde a traição e a brutalidade ficam à espreita em meio à enganosamente tranquila brisa do verão. É 1989 no campo, em Oxfordshire, e Julia coloca o falcão do marido para voar enquanto pensa sobre seu caso com Julian, oito anos mais jovem. Quando ela chega em casa, o marido questiona sua infidelidade, numa cena de barbárie chocante, o que leva à decisão de Julia de ir embora.

Saltando para agosto de 1997, o romance encontra Julian, agora “um senhor de 29 anos”, morando sozinho em Firdaws, a casa onde passou a infância e que resgatou e restaurou. Julia e sua filha, Mira, não estão mais presentes, e um sentimento de mistério e melancolia envolve sua ausência: não sabemos por que Julia foi embora ou o que aconteceu a Mira. Apenas pequenos rastros de Mira permanecem, como um pé de sapato que Julian mantém na gaveta: “Pequenos diamentes no couro e uma sola esbranquiçada”. Aquela é uma casa – e uma existência – povoada por fantasmas bem palpáveis, e Samson transmite o luto de Julian com muita comoção e consciência.

No desenrolar da história, surgem muitas pistas falsas, tanto em relação aos imensos segredos que os personagens escondem uns dos outros, quando aos segredos que Samson habilmente esconde do leitor. Revelações chocantes aparecem no timing perfeito de um thriller psicológico.

Samson cria uma sensação visceral de calor e claustrofobia, tanto física quanto emocional: “Firdaws está abafada, não há qualquer ar saindo do vale. Todos os dias moscas varejeiras chocam-se contra o vidro, há coisas arranhando e zumbindo, a manteiga já ficou tão rançosa que ele joga a torrada para o cachorro”. Sua visão do campo – tanto sua promessa idealizada quando suas decepções opressivas – é ao mesmo tempo poética e sensorial.

Alternando entre o cotidiano e o profundo, Samson dá a “Um ato de bondade” uma qualidade quase hipnótica; em meio ao luto e à melancolia, existe um olho afiado para os detalhes mundanos do cotidiano; as xícaras de café deixadas para esfriar, as geladeiras sem nenhuma comida, os jantares preparados com a melhor das intenções.

As boas intenções estão, de certa forma, no cerne do romance. Atos de bondade – sejam genuínos ou egoístas – permeiam uma história que incentiva o leitor a desfrutar calmamente de sua prosa lânguida e muito bem escrita, enquanto ao mesmo tempo exige que vá virando as páginas para descobrir seus segredos.

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