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“As reputações”, de Juan Gabriel Vásquez, é premiado em Portugal

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“Com esta novela, Juan Gabriel Vázquez põe em causa o poder abusivo da reputação e da arrogância que lhe está inerente e apresenta, de forma exemplar, uma reflexão sobre a memória pessoal e a memória coletiva de um país onde, como afirma uma personagem ‘o esquecimento é a única coisa democrática’.” Com essa justificativa, o júri do CAL/Grupo Lena de Literatura premiou o livro “As reputações”, lançado este mês no Brasil pela editora Bertrand Brasil. O autor ganhou na categoria Criação Literária 2016. O prêmio é dado pela Casa da América Latina e pelo Grupo Lena.

No livro, que vem recebendo excelentes resenhas no Brasil, Javier Mallarino, o caricaturista político mais importante de um dos jornais mais influentes da Colômbia, recebe uma homenagem do governo na sala principal do teatro mais garboso da capital. A cerimônia desencadeia uma série de acontecimentos na vida dele, que o fazem rever seu passado e seu presente.

Com seus desenhos, Mallarino experimenta o poder de construir ou destruir reputações e acredita ser um porta-voz imparcial da sociedade, criticando a tudo e todos. O preço é alto: ele se separa da mulher, que não aguenta a pressão de ameaças e constrangimentos pelas suas charges, se afasta da única filha e se muda para uma casa nas montanhas.

Nessa narrativa sobre o poder e os lapsos da construção de memória, coletiva e individual, o colombiano Juan Gabriel Vásquez provoca uma reflexão também sobre os limites da imprensa e a debilidade dos julgamentos públicos e privados. Numa sociedade em que a opinião pública pode derrubar governos, influenciar a Justiça e condenar previamente uma carreira, Vásquez mostra como pode ser frágil a linha que separa o fato concreto de uma opinião turvada e nada objetiva.

 

TRECHOS

“Todos conheciam o espaço onde sempre estivera sua caricatura: bem no meio da primeira página de opinião, esse lugar mítico aonde vão os colombianos para odiar seus homens públicos ou para saber por que os amam, esse grande divã coletivo de um país longamente enfermo.” (páginas 15 e 16)

Não era certo, acima de toda dúvida ou incerteza, o que aparecia na imprensa? A página de um jornal não era a prova suprema de que algo havia acontecido? O passado se afigurou a Mallarino como uma criatura aquosa de contornos imprecisos, uma espécie de ameba enganosa e desonesta que não podemos investigar, pois, ao voltar a procurá-la no microscópio, constatamos que ela já não está, e suspeitamos que foi embora, e em seguida compreendemos que ela mudou de forma que ficou impossível reconhecê-la”. (página 108)

 

SOBRE O AUTOR

Juan Gabriel Vásquez nasceu em Bogotá em 1973. É autor dos romances “Os informantes”, “História secreta de Costaguana” e “O ruído das coisas ao cair”. Seus livros receberam reconhecimento internacional e foram publicados em 23 idiomas e em 30 países, com extraordinário sucesso de crítica e de público. Vásquez ganhou duas vezes o Prêmio Nacional de Periodismo Simón Bolívar. Em 2012, recebeu em Paris o Prêmio Roger Caillois pelo conjunto da obra, outorgado anteriormente a escritores como Mario Vargas Llosa, Carlos Fuentes, Ricardo Piglia e Roberto Bolaño.

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