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Cristovão Tezza fala sobre a adaptação cinematográfica de “O filho eterno”

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Por Cláudia Lamego

Capa O Filho Eterno AG V2.inddLançado em 2007, “O filho eterno” rendeu a Cristovão Tezza no ano de seu lançamento o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Em 2008, o livro mereceu o Jabuti de melhor romance, o Portugal-Telecom (atual Oceanos), o Bravo!, e o Prêmio São Paulo de Literatura. No ano seguinte, levou o Zaffari & Bourbon, da Jornada Literária de Passo Fundo, como o melhor livro dos últimos dois anos. Também foi considerado pelo jornal O Globo uma das dez melhores obras de ficção da década, no Brasil. Em março de 2010, a tradução francesa da obra (Le fils du Printemps, Ed. Métailiè) recebeu o prêmio Charles Brisset, concedido pela Associação Francesa de Psiquiatria. Na sequência, o romance foi lançado na Itália, Inglaterra, Portugal, França, Holanda, Espanha (em catalão), México, Estados Unidos, Austrália, China e Eslovênia, e já tem edições contratadas na Dinamarca, Noruega, Macedônia, Ucrânia e Sérvia. É de perder o fôlego, não? Mas ainda tem mais.

“O filho eterno” foi adaptado para o teatro pela Cia Atores de Laura e ganhou, em 2011, o Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Ator, para Charles Friks. A peça já esteve em cartaz em vários teatros e continua em turnê pelo país, consagrada por onde passa. Agora, é a vez do cinema. Com os atores Marcos Veras, Débora Falabella e o menino Pedro Vinícius, de 9 anos, escolhido num teste com mais de cem crianças, o filme “O filho eterno” já foi rodado e deve chegar às telas até o início de 2017. A produção é da Globo Filmes e a direção, de Paulo Machline.

Para o autor, o sucesso do livro foi uma grande surpresa. “O filho eterno” é baseado em sua experiência pessoal com o nascimento de Felipe, que tem Síndrome de Down: as primeiras reações, a relação tensa com a mulher, as inúmeras dificuldades e as pequenas vitórias, em meio à reflexão sobre sua própria vida de artista, primeiro como integrante de uma trupe de teatro, depois como escritor e professor universitário. Inseguro em relação à repercussão, pelo tema delicado que aborda, Tezza nunca imaginou que o livro também lhe proporcionaria a realização de um sonho: viver só de literatura.

Tezza lançou este ano, pela Record, um livro de crônicas, “A máquina de caminhar”, e publica seu mais novo romance, “A tradutora”, no segundo semestre. Ele visitou as locações das filmagens, assistiu a algumas cenas já prontas e conta, nesta entrevista, que está curioso para ver o filme completo e que, enquanto isso, já burila ideias para dois novos romances.

 

“O filho eterno” já lhe rendeu grandes prêmios literários, inclusive o Jabuti de melhor romance em 2008, virou peça e agora é transformado em filme. É um sucesso, desculpe o clichê, eterno, não? 

Este livro foi a maior surpresa da minha vida. Quando lancei, estava inseguro sobre a repercussão, por ser um romance muito pessoal, mexendo com questões duras de lidar literariamente. Mas aconteceu o contrário – a resposta do público e da crítica foi excepcionalmente positiva. E, de fato, desde 2007, o livro não parou de crescer. Ganhou praticamente todos os prêmios do ano, foi traduzido em uma penca de países, virou uma peça de sucesso que, depois de levar o prêmo Shell, permanece viajando pelo Brasil. E agora está virando filme, numa produção que tem tudo para dar certo, do diretor ao elenco. Mais que tudo, foi o livro que deu a partida para eu me demitir da universidade e sobreviver só com a literatura.

Você teve alguma participação no roteiro, deu alguma opinião ou a equipe teve liberdade para criar uma nova obra, a partir da sua? 

Não – prefiro sempre não participar. Primeiro porque, embora eu seja um apaixonado pelo cinema, não tenho nenhuma experiência de roteirista na área, e sei o quanto o domínio técnico da linguagem do cinema é importante para um bom roteiro. Mas principalmente porque eu acho que o autor é sempre um péssimo conselheiro de adaptações – a literatura acaba por pesar demais na visão do escritor. Além disso, um filme é uma obra autoral do diretor – isso é fundamental. Todas as boas adaptações cinematográficas são lembradas principalmente pelo nome do diretor, não pelo livro que dá origem ao filme. Um filme adaptado de um livro é uma leitura muito particular que deve ser respeitada.

Fãs ardorosos costumam ver defeitos em filmes que derivaram de livros. É uma velha discussão se uma obra pode ser comparada à outra. Você está confortável na posição de autor, em relação a essa questão? 

Completamente confortável. É claro que um filme será sempre bastante diferente do livro que lhe dá origem. Quem vai ao cinema só com o livro na cabeça fatalmente verá mal o filme. Um bom livro sempre tem um leque potencial de leituras possíveis e boas.

Como foram as visitas ao set de filmagem? Você conversou com os atores? O Marcos Veras, em entrevista, disse que sentirá falta do menino que interpreta seu filho no filme, depois de conviver tanto tempo com ele. Pôde assistir a alguma cena entre os dois? Em caso positivo, o que você achou da alquimia entre os personagens?

Antes de mais nada, achei o Marcos Veras o ator perfeito para o papel. A Débora Fallabela é uma atriz fantástica, e o menino Pedro foi outra escolha muito feliz. Vi algumas cenas gravadas e outras poucas “ao vivo”, e, mesmo aos fragmentos, gostei muito. Estou muito curioso para ver o filme completo.

Este ano, a Record lançou um livro de crônicas seu, o “Máquina de caminhar”, e lançará seu novo romance, “A tradutora”, dois anos depois de “O professor”. Tem mais novidades vindo por aí?

Este ano tirei para descansar um pouco, respirar, colocar leituras em dia, deixar a cabeça solta. Tenho dois projetos romanescos na cabeça, mas vou esperar um pouco mais, deixá-los amadurecer sem atropelo. Sei que quando começo um livro não posso mais parar, e são meses e meses de obsessão. É bom dar um tempo.

 

*Foto de divulgação/Globo Filmes

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