Prata da Casa

Representatividade importa sim!

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Por Ana Rosa

Meus pais sempre me incentivaram a ler. Dentro de casa as estantes sempre foram cheias de livros e, enquanto fui crescendo, esse amor apenas cresceu comigo. Uma das escritoras que me acompanhou foi Meg Cabot, autora de livros como “A rainha da fofoca”, “O garoto da casa ao lado” e da minha série preferida e pra sempre amada “O diário da princesa”.

A primeira vez que eu coloquei as mãos em um livro da Meg foi aos 14 anos. “O diário da qrincesa”, que havia sido lançado em 2001, estava arrebentando nas livrarias e já tinha até sido adaptado para o cinema. Naquela época, a Mia, protagonista da série, era uma das minhas personagens preferidas e eu daria tudo para ser como ela. Não porque ela era da realeza, mas porque ela era normal. Tão normal quanto uma menina que acaba de se descobrir princesa podia ser. Ela tinha problemas com o cabelo, com as roupas, com garotos e com sua família, e eu me identificava muito com aquilo.

Mesmo vendo na Mia uma melhor amiga, alguém que se parecia comigo e com quem eu podia contar, havia questões sobre quem eu era que a Mia nunca viveria e eu sabia disso. Na verdade, nenhuma das protagonistas dos livros que eu lia apresentava questionamentos como os meus. Nenhuma das personagens que eu tanto amava me representava realmente. Nenhuma delas era negra.

Obviamente eu não percebi isso quando era criança. Na realidade, só fui perceber a falta de protagonistas negras nos livros que eu tanto amava há pouco tempo. Quando passei a prestar atenção nessas coisas, quando percebi o que era ser negra e leitora, pude perceber que poucos foram os livros que tinham personagens que pareciam comigo.

Foi aí que Meg Cabot me presenteou com a Olivia.

A Olivia é a irmã mais nova da Princesa Mia (aquela mesma!), tem 12 anos e acabou de descobrir que é princesa de um pequeno país, a Genovia. Olivia é super inteligente, esperta, tem cabelos crespos e pele negra. Como eu era quando criança e como muitas crianças negras são. Talvez a maioria das pessoas não saiba o que é não se ver representada naquilo de que gostamos. Muitas vezes essa falta de representatividade faz com que busquemos nos modificar para que possamos nos encaixar. Eu amava a Princesa Mia, mas sabia que eu não poderia ser como ela.

Lendo “Diário de uma princesa improvável” e conhecendo a Olivia, eu imagino o quão feliz e animada a minha versão mais nova teria ficado de ter visto uma personagem tão igualzinha a ela na capa de um livro. Como ela veria que poderia estar ali também. E poderia ser princesa. Imagino quantas crianças não amariam se ver representadas em seus livros e séries preferidas. Eu espero que essa representatividade apareça cada vez mais nos livros. Não apenas em livros infantis, mas em livros de fantasia, policiais e romances. Que nós possamos nos ver representados nas páginas também.

Comentários
  • cecliaboechat

    Eu estou no trabalho com a maquiagem começando a borrrocar porque não consigo conter as lágrimas de identificação. Sua situação é a mesa de milhões de jovens pelo mundo. Obrigada por compartilhá-la conosco!

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