Perfil

Conheça Pam Gonçalves, autora de “Boa noite”, livro da Record mais vendido na Bienal

1 Comentário

Por Claudia Lamego

Quando a Galera Record foi criada, em 2007, Pam Gonçalves ainda ia completar 17 anos, estava no Ensino Médio e cheia de dúvidas em relação ao futuro. Naquela época, ela achava que ser escritor não era profissão, embora passasse a maior parte do tempo entre livros, mais especificamente lendo toda a saga do Harry Potter e a obra completa da Meg Cabot. Como gostava de ler e não tinha com quem conversar sobre o assunto, ela encontrou na internet o site do selo (a Galera pertence ao Grupo Editorial Record) e ali sua vida começou a mudar:  “O fórum da Galera era o lugar mais especial da internet onde todo mundo que gostava de ler podia debater sobre os seus livros favoritos. Fiz muita amizade naquele espaço e tenho certeza que naquele momento a sementinha da Pam booktuber e escritora foi plantada”, conta Pam.

Em 2009, Pam criou o Garota it, um dos primeiros blogs literários do Brasil. Ana Lima, editora executiva da Galera, estava de olho: “O primeiro contato que tive com a Pam foi no fórum da Galera há quase dez anos. O fórum foi um lugar incrível no qual pessoas de todo o Brasil falavam sobre livros e o prazer de ler e lá, pela primeira vez, a relação editora e leitor foi estreitada e passou a ser realmente interativa. Sempre admirei o trabalho que ela conseguia fazer no seu blog com um público tão jovem, que aos poucos foi seguindo suas dicas vorazmente. O blog virou um canal no YouTube com quase 200 mil assinantes apaixonados por livros – é um público extremamente valioso e selecionado; gostam de ler e leem muito, são críticos e muito participativos. Trocamos muito ao longo dos anos e há algum tempo eu vinha sondando a vontade dela de escrever, publicar… passar pro outro lado do jogo sem abandonar o que ela já sabia fazer tão bem. O papel de sua agente, a Gui Liaga da Página 7, foi essencial para aquele ‘empurrãozinho’”, conta Ana Lima.

Em 2016, veio a primeira publicação: um conto na coletânea “O amor nos tempos de #likes”, em que Pam bebe na fonte de Jane Austen e seu “Orgulho e preconceito” para narrar as desventuras de Liz, uma youtuber famosíssima que se recusa a viver sob regras antiquadas – como a de que “precisa arrumar um bom partido para casar”, como diz a mãe. Mas que também acaba, sempre na defensiva, se fechando para o amor. Num de seus vídeos, ela contou que o livro de Austen é um de seus clássicos internacionais favoritos. “Boa noite”, publicado no fim de agosto, é o seu primeiro romance e, em sua estreia nacional, foi o livro mais vendido do estande do Grupo Record na Bienal de São Paulo.

Em “Boa noite”, Pam cria uma trama romântica, descontraída e juvenil, mas trata também de assuntos sérios como assédio e abuso sexual. A protagonista é Alina, uma jovem de 18 anos que passou a adolescência sendo exemplar. Estudiosa, com excelentes notas, boa filha… um estereótipo que nunca lhe garantiu um lugar entre os mais populares da escola. Agora, ela se prepara para mudar de cidade e começar a cursar a faculdade de Engenharia da Computação. Para Alina, é a oportunidade de se reinventar, de pertencer a um grupo, de se sentir “legal” pela primeira vez. As coisas começam bem, com os novos amigos da república, e ao mesmo tempo desafiadoras, ao cair numa turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números. Quando ela decide deixar definitivamente a vida de nerd para trás, as coisas se complicam. As festas e as bebidas são pura diversão, mas o burburinho sobre os abusos sexuais e o uso de uma nova droga começa a assustar o campus. Para completar, os alunos criam uma página de fofocas na internet que expõe a vida sexual das meninas. Alina acaba tragada para o meio disso tudo, onde terá que lidar com pessoas muito mal intencionadas. Mas, no fim, a menina vai descobrir que, unindo-se às outras mulheres, ela poderá fazer diferença. Enquanto constrói uma clássica história sobre as dores do crescimento e a perda da inocência, Pam aproveita para refletir, em “Boa noite”, sobre temas importantes e absolutamente contemporâneos, como cultura do estupro, machismo e bullying na internet.

Num vídeo onde fala de sua relação com a literatura, Pam conta que escolhe suas leituras pela estação do ano: “No verão, livros contemporâneos e leves. No inverno, fantasias e dramas”. E “Boa noite”, pergunto, é para ler em que estação? “Alguns leitores já me disseram que começaram lendo achando que Boa Noite seria leve e fofo, mas acabaram se surpreendendo com o tema mais sério debatido durante o livro. ​Então acho que ele se encaixaria nas estações que não são tão extremas, como Primavera e Outono. Aliás, a Primavera está aí, ótimo momento para ler o livro!”, se entusiasma a autora, que vem fazendo turnês lotadas de lançamento do livro.

Ainda lidando com o sucesso de vendas e de resenhas positivas do livro na internet, Pam diz estar num momento de transição. Num ambiente em que a linguagem e a narrativa de booktubers e youtubers pode estar se esgotando, ela pensa em novas reinvenções: “Ainda estou tentando me encontrar entre booktuber e escritora. Acredito que estar ‘do outro lado’ me fez pensar muito no que eu queria para o canal também. Então estou repensando completamente o canal para tentar inovar e encontrar a minha nova voz dentro dessa comunidade. Vem coisa nova por aí, mas ainda é segredo!”

Comentários
  • Leonardo Eduardo Dutra

    Me inspiro em exemplos assim. Parabéns Pam!

Posts Populares

Este website usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Navegando neste site você consente com a nossa Política de Privacidade.

Leia Mais