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“O filho de Machado de Assis”, de Luiz Vilela

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O professor Simão tem uma emergência para tratar com um de seus ex-alunos, a quem liga no meio de um feriadão e convoca para ir até a sua casa. Mac abdica da praia num dia de sol e atende ao pedido do professor, contrariando sua namorada. A urgência é literária: Simão descobriu, numa de suas inúmeras visitas à biblioteca pública da cidade, que Machado de Assis, ao contrário do que diz suas biografias e negando a última frase de “Memórias póstumas de Brás Cubas” (“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”), teve um filho sim, provavelmente antes do casamento com Carolina.

A notícia, segundo o professor, pode mudar toda a história da literatura, jogando por terra teses e estudos sobre a obra do maior escritor brasileiro de todos os tempos. Maior? O professor questiona: “(…) Tem lá uma régua de medir escritor?”. A frase compõe um dos tantos e deliciosos diálogos da novela “O filho de Machado de Assis”, nova obra de Luiz Vilela, cujo mote nos leva a refletir sobre a idolatria, as constantes releituras da literatura com base em documentos redescobertos ou no olhar politicamente correto de agora.

Com frases certeiras e personagens como a funcionária da biblioteca que trata as especulações sobre a família de Machado como matéria de revista de fofoca, Luiz Vilela, na voz de seu professor aposentado e cheio de cismas, especula sobre questões como a própria finalidade da literatura num país em que poucos leem. Ao mesmo tempo em que alfineta também quem se acha superior por ser culto: “Não se iluda, meu caro, não se iluda: cultura não confere caráter a ninguém, da mesma forma que batina e hábito a ninguém conferem santidade.” Há também, na fala do professor Simão, um certo deboche ao mundo acadêmico e do mercado editorial: “Você acha que essa gente é flor que se cheire? Acha? Se acha, está muito enganado.”

O livro chega às livrarias em outubro, pela Record, que publicou este ano também uma reedição de “O fim de tudo”, livro com o qual Vilela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria contos, em 1973.

Leia mais sobre o autor aqui.

 

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