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20 anos sem Renato Russo

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Em homenagem aos 20 anos de morte de Renato Russo, o jornal Folha de São Paulo publicou na última segunda, 10, um especial sobre o líder do Legião Urbana.Um dos convidados foi  Mario Luis Grangeia, autor do livro “Brasil: Cazuza, Renato Russo e a transição democrática”, que mostra como as músicas contaram parte da história da transição da ditadura para a democracia no Brasil.  Leia a seguir a orelha da obra, escrita pelo jornalista Silvio Essinger.

“Ser jovem no Brasil dos anos 1980 não foi algo fácil, ou simples, ou puramente divertido. Sabe lá o que é atravessar uma era em que o país saiu de uma ditadura militar, grávido de esperança, sonhos e utopias, e ver os bebês serem abortados, um a um, ao longo de planos econômicos furados, escabrosos casos de corrupção e vírus tão devoradores quanto indecifráveis? Naqueles tempos em que a inocência ruía a cada esquina, novos sons, novas batidas, novas pulsações se fizeram necessários. E o rock, com suas farpas e arestas (e um coração transbordando de tudo), acabou sendo o veículo ideal para os trovadores que tinham a missão de reinventar o Brasil para o novo milênio.

Ao mesmo tempo profundamente semelhantes e diferentes, Cazuza e Renato Russo compuseram o songbook da perplexidade de uma garotada diante do país (e do mundo) que lhe foi entregue. Dobrando sua pena a estilos estrangeiros (àquela altura cosmopolitas e urbanos), eles acharam formas simples e poéticas para falar de política (“Que país é este”, “Brasil”), de amor (“Codinome beija-flor”, “Quase sem querer”) e de tudo que se encontra no meio. Existencialistas, apaixonados, debochados, desesperados e inconsequentes, eles cresceram junto com o público para quem cantavam, dando versos e acordes às suas dúvidas, solidões, iras e dores de cotovelo.

Em Brasil: Cazuza, Renato Russo e a transição democrática, Mario Luis Grangeia conduz o leitor numa viagem cheia de solavancos pelo Brasil em desconstrução, que Cazuza e Renato mapearam com tanto brilhantismo e audácia. Suas letras – e entrevistas, modalidade de comunicação na qual os dois também fizeram arte – ajudam a compor um relato sobre como, após o país ter se despido dos véus da censura e do isolamento em relação ao mundo, sua juventude encontrou os caminhos numa realidade muito mais voraz e cheia de possibilidades. É a história, com H maiúsculo, contada por quem não teve tanto tempo na Terra (ou teve seu próprio tempo), e a quem restou apenas a imortalidade”.

 

 

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