Lançamentos

“A crise fiscal e monetária brasileira”, organizado por Edmar Bacha

Nenhum Comentário

Prefácio por  Fernando Henrique Cardoso

 A falta que faz

Quantas vezes cada um de nós diante da morte de alguém recorda a falta que a pessoa nos faz. Isso é mais comum quando se trata do desaparecimento de familiares ou de amigos. Eu não posso dizer que fui amigo de Fabio de Oliveira Barbosa, nem sou familiar dele. Mas posso dizer, como seu ex-chefe, se é que o presidente da República foi chefe de alguém em sentido preciso, que ele faz uma falta enorme ao país.

A leitura das páginas que seguem, em especial do evocativo de Pedro Malan e de Eduardo Guimarães, mostra o que significa ser um “servidor público” no sentido denso da expressão. Assim foi Fabio Barbosa. De sua carreira profissional, inclusive de sua formação e de suas atividades na esfera privada, os testemunhos são eloquentes. Quero restringir-me a um aspecto do que significou sua trajetória.

Com frequência há críticas à burocracia, a sua incompetência e mesmo desídia. Os que conhecem mais de perto a máquina pública sabem que nessa matéria qualquer generalização é falaciosa. De fato, se de algo podemos nos envaidecer é de que o país dispõe de quadros de alta qualidade que dão o tom da máquina pública, quando os governos têm virtudes republicanas.

   De minha experiência tanto no Legislativo quanto no Executivo cresceu o respeito que tenho pelos muitos funcionários de alta capacitação técnica, sem os quais nada de duradouro se consegue em matéria de políticas públicas. Fabio Barbosa, nesse sentido, é figura paradigmática.

Para os que conhecem de perto, e mesmo para quem apenas observa, o funcionamento dos governos, as páginas que seguem mostram a importância de termos logrado que a Secretaria do Tesouro funcionasse a contento, obra que vem dos antecessores de Fabio e de alguns de seus sucessores, à qual ele deu uma colaboração marcante. Da mesma forma como ajudou a que fossem estabelecidas regras para o relacionamento entre o Tesouro e o Banco Central, tarefa que requer conhecimentos técnicos, probidade e dedicação ao trabalho.

Que dizer então das longas negociações por intermédio do Ministério da Fazenda, e em especial do Tesouro, para pôr em ordem a barafunda das dívidas estaduais e municipais que o decênio inflacionário havia legado? Quem pouco conhece os pormenores de tudo isso pode imaginar que o Plano Real foi fruto de mentes iluminadas e da condução política de um programa de estabilidade. Não deixa de ter sido. Mas também custou longos anos de trabalho, com seriedade e competência, para que as finanças públicas, no seu conjunto, dessem sustentação à aspiração da maioria, que era acabar com os níveis insuportáveis de inflação. Foi a isso que pessoas como Fabio Barbosa se dedicaram, sem talvez colher os louros públicos, mas granjeando certamente o respeito dos que os viram trabalhar.

Figura discreta, homem amável, Fabio tinha sólida formação intelectual e apetite para o trabalho. Se fosse preciso algo mais para consolidar sua reputação, Fabio mudou de âmbito de atuação da esfera pública para a privada. Nesta, como quando atuou na Vale do Rio Doce – no melhor momento da empresa – reafirmou suas qualidades, agora de executivo. Qualidades que mostraram a extensão de sua valia no plano internacional quando foi dirigente de uma grande empresa de âmbito planetário.

Por todos esses motivos é que os que o conhecemos nos juntamos neste livro em homenagem ao que fez na vida quem tão cedo se foi dela.

 

Comentários
Posts Populares

Este website usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Navegando neste site você consente com a nossa Política de Privacidade.

Leia Mais