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Expulsões, de Saskia Sassen, por Debora Diniz

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Por Debora Diniz

É daqueles livros para entender um tempo; o nosso tempo. Expulsões: brutalidade e complexidade na economia global tem na capa e no texto análises sobre a brutalidade de nosso tempo – a onda de lama de Mariana e costuras sobre os efeitos da episteme subterrânea do capitalismo financeiro.

Saskia Sassen é socióloga, conhecida pelo conceito de “cidades globais”. A escrita é fluida, a aridez de números e acrobacias do capitalismo financeiro global são docilizadas pela tese precisa do livro: há novas formas e lógicas de expulsão – elas nos perseguem do mundo do trabalho às migrações, do meio ambiente ao sistema prisional.

Expulsão é um conceito subterrâneo ao livro, para usar uma expressão preciosa de Sassen. Não há definição explícita para o que seja expulsão, seu sentido é quase autoevidente – é não fazer parte, é ser mandado embora, não mais existir no espaço da vida: “expulsões – de projetos de vida e de meios de sobrevivência, de um pertencimento à sociedade, e do contrato social que está no centro da democracia liberal. Isso significa mais do que simplesmente mais desigualdade e pobreza. Em minha leitura, trata-se de um problema que ainda não é inteiramente visível e reconhecível”. É viver nos campos de refugiados, nos espaços de armazenamento de gente, que podem ser fronteiras ou presídios, é sobreviver em um trabalho desregulamentado das proteções. Expulsão é um dos motores do capitalismo financeiro global, cujas lógicas e forças, de tão abstratas, nos sentimos incapazes de seguir. As sentimos, é verdade, e as crises econômicas são um de seus efeitos imediatos que nos provam sua existência.

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