Imortais da Record

De Antônio Torres para Nélida Piñon

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Querida amiga,

Este seu livro recém-publicado, “Filhos da América”, é para ser lido em estado de exaltação.
O que ele contém? Discursos, ensaios, memórias, sonhos, reflexões?
Tudo isso e algo mais: o seu texto – luminoso, encantatório… fabuloso, como sempre.
Menina bonita, eu conto:
No começo, fiquei me perguntando se você, aos dez anos, teria chegado à Galícia num daqueles navios da Ibarra que eu havia visto no porto de Salvador, quando lá estive pela primeira vez para fazer o meu primeiro trabalho como repórter do Jornal da Bahia. Mais adiante vi que você havia chegado a Vigo num barco inglês. Aí fiquei me lembrando de uma viagem à Galícia, com dois jornalistas do Porto. Eles queriam ver um jogo em Pontevedra, do time local contra o Atlético de Madri. E me deram uma carona porque o visto do meu passaporte já estava vencendo e eu precisava atravessar a fronteira para renová-lo na volta, e assim ganhar mais um tempo em Portugal. Como não havia mais ingressos à venda no estádio de Pontevedra, seguimos até Santiago de Compostela. No regresso, paramos num bar de Vigo, com vista para o movimento da cidade – as moças andando numa calçada e os rapazes em outra, paquerando-se à distância -, enquanto dentro do bar uma banda tocava jazz.
Quão maravilhosas são as impressões que você guarda de paisagens, pessoas, falas e emoções que lhe marcaram indelevelmente! Assim como as sobre livros e autores, e sobre a escrita, a nossa língua, o nosso país etc. 
Ah, Dona Senhora Escritora: estar num livro seu – como estou neste, no capítulo “Egresso do Junco” – é, por si só, uma glória.
Mas, o que dizer de estar num livro no qual você traça perfis irretocáveis de Machado de Assis, José de Alencar, Juan Rulfo, Júlio Cortázar, Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Tomás Eloy Matinez, José Maria Arguedas, Cabrera Infante? 
Que isso é demais para o velho e pobre coração deste que você incluiu nesta constelação de estrelas da América.
Pelo inenarrável prazer da sua leitura, e pela honradíssima parte que me coube nesta sua tão justamente bem louvada obra, envio-lhe 2017 agradecimentos.
Um forte e afetuosíssimo abraço do seu, de sempre.

Leia o texto que Nélida dedica a Antonio Torres no livro “Filhos da América”:Egresso do junco

Crédito das imagens do banner:  Guilherme Gonçalves/ABL

 

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