Entrevistas

“Prometo perder”, de Pedro Chagas Freitas

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Cláudia Lamego

Pedro Chagas Freitas vive a literatura à flor da pele. Na sua obra, criou um mundo próprio de emoções que chama, em Portugal, de “Lamechalândia”, lugar dos “lamechas”, pessoas que demonstram o tempo inteiro as suas emoções. A palavra existe em português, mas não é usada por aqui. Pedro diz que seu correspondente no português brasileiro poderia ser “Emoçãolândia” ou “Sentimentalândia”. Essa descarga de sentimentos, em múltiplas vozes, e em textos que ora se assemelham a contos, ora crônicas ora poesia em prosa, está em seu novo livro “Prometo perder”, que ele lança no Brasil em abril, pela editora Verus.

Aos 37 anos e com mais de 20 obras publicadas em Portugal, o autor tem nas redes sociais um canal direto com o leitor. Só no Facebook tem mais de um milhão de seguidores. Formado em linguística, também cria metodologias de escrita e dá cursos e workshops para os mais variados públicos. Ele diz ter sido nadador, barman, operário fabril, porteiro de discoteca e até jogador de futebol, mas afirma que a literatura é a sua forma de viver desde que aprendeu a escrever.

Rebeldia, submissão, saudade e desejo estão entre os ingredientes que compõem sua obra. Pedro também fala sobre os prazeres (ou a falta deles), solidão e loucura. Para ele, “perder” é um dos verbos mais difíceis de conjugar, por isso a necessidade de desmistificar o peso dado à palavra neste novo livro. O autor vem ao Brasil em abril para uma turnê de lançamentos. Não é sua primeira vez aqui, mas a expectativa para reencontrar os fãs é grande:

“Tudo o que vi quando estive no Brasil foi poesia: as pessoas, os lugares, as palavras, os cheiros”, disse em entrevista, reproduzida abaixo.

 

pcf-pic2Você se define como um “lamecha” e parece ter inventado, em sua obra, o país da “Lamechalândia”. Embora a palavra tenha registro nos dicionários brasileiros, ela não é usada por aqui. Queria que você a explicasse aos leitores do Brasil o seu significado e também queria saber se você acha que tem um correspondente pra ela no português daqui.  

Talvez se pudesse chamar a emoçãolândia ou a sentimentalândia – porque ser lamechas, sob o meu ponto de vista, é isso: ser alguém que se emociona, que sente, e que não tem qualquer receio em mostrar que se emociona e que sente. Penso que por vezes ainda tememos mostrar que somos feitos também de emoções. Somos humanos porque sentimos. E eu sinto. Orgulhosamente. Sempre.

 

Os textos do seu livro podem ser classificados como contos, crônicas, prosa poética. Às vezes parecem cartas, outras um diário. Ele tem múltiplas vozes e fala de diferentes emoções. Como se dá o seu exercício de escrita? E como você vai montando esse mosaico de escritas tão sensíveis até que se torne uma obra fechada?

Nunca coloquei uma etiqueta sobre o que escrevo. Escrevo o que sinto, escrevo o que as minhas personagens sentem. E cada uma das personagens, bem como cada uma das histórias, tem uma voz própria, uma voz especial. Algumas são mais doces, outras são mais amargas; algumas são luminosas, outras são mais escuras. Tento, em tudo o que escrevo, trazer um catálogo de humanos – e por conseguinte de humanidade. Somos as diferenças que temos, também.

 

Gostaria que você contasse um pouco também de sua experiência com cursos e workshops de escrita criativa. Como surgiu essa ideia e quem é a maior parte de seu público-alvo?

Criar metodologias fascina-me. Adoro inventar. Já inventei livros, jogos, … E a escrita criativa, planear e coordenar sessões de escrita criativa, permite-me criar muito e inventar muito. É algo que já faço há mais de uma década e cada vez gosto mais de o fazer. Tenho, nos meus workshops, pessoas de todas as idades e de todos os pontos do mundo. E todas essas pessoas são singulares na maneira como pensam, na maneira como sentem – e, por óbvia inerência, na maneira como escrevem. É maravilhoso assistir ao que assisto durante o processo. São já milhares de pessoas que realizaram estes meus cursos – e já mais de uma centena aqueles que lançaram livros que foram escritos durante estas minhas sessões, ou pelo menos com influência directa do que fizeram nas sessões.

 

Você já esteve no Brasil. Que impressões guarda do país e de seus leitores por aqui? Que expectativas tem agora, inclusive com a mudança para uma nova editora?

É um país-poema. Tudo o que vi quando estive no Brasil foi poesia: as pessoas, os lugares, as palavras, os cheiros. Os meus leitores brasileiros são expansivos, calorosos, e fazem-me sentir muito acarinhado. É maravilhoso. Tenho a certeza de que vai ser assim: muito calor, muita alegria, muita partilha. Mal posso esperar, confesso.

 

Na biografia de seu site, você diz ter sido nadador, barman, operário fabril, porteiro de discoteca e até jogador de futebol. Como a literatura entrou na sua vida? O que você gosta de ler? Tem autores brasileiros de preferência?

A literatura esteve sempre presente – até porque, para mim, tudo é literatura, tudo é matéria para literatura. Nesse sentido, tudo o que fiz e vivi me alimentou enquanto autor. Tenho mais de uma centena de livros escritos – mais de vinte já publicados em Portugal. Escrevo desde que me lembro de saber juntar as letras. Leio de tudo – desde poesia a prosa, e acredito que a primeira parte do processo de escrita é a leitura, só depois chega o resto. Amo muitos escritores brasileiros –  Rubem Alves, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, entre muitos outros – e com certeza amarei muitos mais ao longo da minha vida. Posso apostar.

 

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