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Paula Hawkins fala com os fãs sobre “Em águas sombrias”

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Autora do fenômeno “A garota no trem”, Paula Hawkins está de volta às livrarias: “Em águas sombrias” teve lançamento mundial no último dia 2 de maio. O novo romance é ambientado na fictícia Beckford, no interior da Inglaterra. Lá,  o rio que atravessa a cidade é praticamente personagem da trama. É num lugar específico do rio, conhecido como Poço dos Afogamentos, que Nel Abott é encontrada morta. Outras mulheres já morreram ali, o que vem acontecendo há mais de um século, e Nel vinha se dedicando a um projeto sobre as histórias destas mulheres. Apesar do aparente suicídio, uma investigação é conduzida pela polícia. Jules, a irmã de Nel, é obrigada a voltar para a cidade de onde saiu há muito tempo. Ela precisa cuidar de Lena, a filha adolescente da irmã. Voltar para aquele lugar não é fácil para Jules, dona de um passado cheio de traumas.

Para narrar as histórias de Nel, Jules, Lena e de outras tantas mulheres de Beckford, Paula Hawkins assume as vozes de diferentes personagens, intercalando capítulos sob os pontos de vista de diversos moradores da cidade. Com a mesma escrita frenética e uma abordagem crua dos instintos humanos de “A garota no trem”, mas de forma ainda mais complexa e sofisticada, a autora mostra que, sob a superfície calma de uma pequena e pacata cidade, as histórias traumáticas do passado sempre podem vir à tona. Além de falar sobre memória, Paula Hawkins mais uma vez conta uma história sobre mulheres. A autora é hábil em unir tramas de suspense com alto sucesso comercial à discussão de temas relevantes e contemporâneos. Se em “A garota no trem” abordou os relacionamentos abusivos e as nuances da maternidade, neste “Em águas sombrias” fala sobre machismo e misoginia em suas mais diversas formas, e da maneira que a sociedade ainda enxerga as mulheres.

“A garota no trem” já vendeu 20 milhões de exemplares pelo mundo, e 250 mil apenas no Brasil. O livro inspirou um longa-metragem homônimo, protagonizado por Emily Blunt e sucesso de bilheteria. “Em águas sombrias” também já teve seus direitos de adaptação vendidos para a DreamWorks.

Paula tem respondido às perguntas dos fãs no site Goodreads, que reúne leitores apaixonados em todo o mundo. Abaixo selecionamos algumas das melhores perguntas e respostas, nas quais ela fala sobre seu processo de escrita, as relações entre “A garota no trem” e “Em águas sombrias”, entre outros assuntos.

Como você escolhe os nomes de seus personagens?

É bem estranho batizar um personagem. Às vezes o nome vem imediatamente e você sabe: sim, essa pessoa é Danielle, e o apelido é Nel. Em outros casos, eu chego a mudar o nome do personagem durante o processo de escrita, porque conforme ele se desenvolve, o nome já não combina mais.

Qual é o seu livro favorito e por quê?

É como escolher um filho favorito! Impossível. Vou dizer alguns: “A God in ruins”, de Kate Atkinson e “Regeneration”, de Pat Barker. Mas eu mudo de ideia sobre isso a todo momento – depende do meu humor e do que andei lendo. Recentemente, por exemplo, fiquei muito impressionada com “Idaho”, de Emily Ruskovich. Não consigo parar de pensar nele.

Existe uma parte de suas histórias que seja real, uma experiência da sua vida?

As minhas histórias não são autobiográficas (ainda bem). Há elementos da minha personalidade na Rachel de “A garota no trem” e também na Jules de “Em águas sombrias”, e há traços também em outros personagens, mas os fatos relatados nos livros são inteiramente ficcionais.

Não li “Em águas sombrias” ainda, mas soa como outro thriller. Ele tem elementos que você já usou antes? É um thriller psicológico? Mal posso esperar.

Sim, “Em águas sombrias” é um thriller psicológico. Tem um grupo de personagens bem maior do que do “A garota no trem” e, claro, a trama é bem diferente. Mas o tom acho que é similiar. Mais uma vez retorno ao tema das relações entre mulheres, e como a memória é traiçoeira.

Quem ou o quê te inspirou a escrever seu romance mais recente, “Em águas sombrias”?

Queria escrever sobre o que acontece quando descobrimos que as histórias que passamos a vida inteira contando – sobre nós, nossas famílias e comunidades – na verdade não eram verdadeiras. O que acontece quando percebemos que nossa vida é baseada numa mentira?

Que mistério na sua própria vida poderia ser enredo de um livro?

Ah, minha vida daria um livro bem sem graça. A vida da minha mãe, por outro lado… Ela cresceu numa fazenda na África e sua história envolve um assassinado sangrento (não cometido por ela, é bom dizer) e uma perseguição de um rinoceronte.

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