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Bertrand prepara lançamento sobre obra de Jane Austen, cuja morte completa 200 anos

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Uma das mais influentes escritoras da história, Jane Austen morreu há 200 anos, mas seus livros cheios de romantismo, humor e heroínas espertas seguem sendo fonte de inspiração para leitoras e escritoras mundo afora.

Em setembro, a Bertrand Brasil lança “O clube de escrita de Jane Austen”, um guia de inspirações e dicas para quem é fã e/ou gostaria de escrever como Austen. Sobrinha-neta da autora inglesa, Rebecca Smith é quem ensina os métodos e pequenos truques da autora de “Orgulho e preconceito”, desde as técnicas usadas para criar tramas até o detalhamento de personagens e a redação de diálogos.

Leia abaixo a introdução do livro, na qual Rebecca fala sobre sua relação com Austen e sua obra.

 

“Faz muito tempo que acompanho Jane Austen. Como acontece a tantas pessoas, fui apresentada à sua obra na escola — Orgulho e preconceito quando tinha quatorze anos, a idade perfeita. A escola ficava em Dorking, ou “a Cidade de D…”, como coloca a autora em Os Watsons. Uma curta caminhada a separava de Box Hill, local do desastroso piquenique em Emma. Não notei nenhum Sr. Darcy ou Sr. Knightley na oitava série, mas não faltavam aspirantes a heroínas como Catherine Morland. Orgulho e preconceito foi um dos primeiros romances para adultos pelos quais me apaixonei. Ele me transportou de um mundo de garotos que torturavam marimbondos para Pemberley. Lembro-me de lê-lo no jardim da nossa casa, que ficava em Reigate, e não em Dorking, na companhia de um infame gato ruivo,assassino de rãs, que pertencia ao vizinho. Batizei-o de Ginger Wickham.

Sou sobrinha-neta de quinto grau de Jane Austen, o que é uma coisa boa, mas não garante a ninguém um passaporte para a fama. Os irmãos de Jane Austen tiveram trinta e três filhos ao todo, então, passados duzentos anos, deve haver milhares de descendentes de Austen. Mas quando visitei minha tia-avó em Winchester, adorei olhar para os pequenos retratos dos irmãos marinheiros de Jane Austen, Francis (meu antepassado) e Charles, e para o que descobri ser uma imagem rara de seu pai, o reverendo George Austen. Estes retratos hoje se encontram em exibição na Casa-Museu de Jane Austen em Chawton, Hampshire, onde posso visitá-los.

Graduei-me em Southampton e ainda vivo na cidade e dou aulas de escrita criativa na universidade. Ainda há traços da Southampton que Jane Austen conheceu quando esta era a sua casa, antes de finalmente se estabelecer em Chawton. O mar foi empurrado para trás de onde costumava bater nos muros da cidade de modo que ela pudesse vê-lo do jardim que criou com a família de Francis, sua irmã Cassandra e sua mãe. Austen gostava da cidade — havia e há nela muito mais do que os peixes fedorentos mencionados em Amor e amizade.

De 2009 a 2010, tive a imensa sorte de ser a escritora residente na Casa-Museu de Jane Austen. Reli toda a obra e as cartas de Jane e passei um ano fantástico ao lado dos funcionários e voluntários, conversando com os visitantes, promovendo oficinas de literatura, visitando escolas, perdendo-me de maneira geral em Austen e trabalhando em meu quinto romance. No 234º aniversário de Jane Austen, em 16 de dezembro de 2009, fui uma das primeiras a entrar na casa. Lembro-me de ir abrir as persianas no quarto de Jane, esperando angustiadamente ter um vislumbre dela. Isso não aconteceu, mas este livro teve sua gênese naquele ano. Passar tanto tempo onde Jane Austen viveu, onde escreveu Mansfield Park, Emma e Persuasão e revisou seus três primeiros romances, caminhar por onde ela caminhou e ter a mesma vista que ela ao abrir as janelas foi algo mágico e inspirador. O museu não é assombrado, mas muitos dos funcionários, voluntários e visitantes são testemunhas de sua atmosfera terapêutica. Promovi muitas oficinas de literatura na Casa-Museu de Jane Austen e em outros lugares, usando a obra de Jane e seus métodos para inspirar escritores trabalhando com todos os gêneros. Tenho muita gratidão ao museu pelas oportunidades que ele me deu e aos escritores que participaram das oficinas, compartilhando seus textos, ideias e experiências.

Pensei nestes escritores ao trabalhar neste livro. Espero que lhes seja útil e também para os escritores de todo o mundo que adoram Jane Austen ou aqueles que tenham menos familiaridade com sua obra, e aos leitores, professores e janeófilos de todas as partes.

Espero que este livro lhe seja útil, esteja você escrevendo um romance, focado em contos ou trabalhando sob outra forma. As pessoas amam o trabalho de Jane Austen por muitos motivos: o humor, o diálogo efervescente, os personagens inesquecíveis, a precisão de suas observações, suas tramas elegantes e satisfatórias, seu uso da língua, o modo como escreve sobre relacionamentos, e como captura o que é estar apaixonado, sentir-se sozinho, provocado, errado, desapontado, fazer parte de uma família… a lista é interminável. Suas cartas nos dão uma ideia maravilhosa sobre sua vida e nelas Austen dá conselhos sobre como escrever; também incluí estes conselhos.

Um dos aspectos mais difíceis de escrever este livro foi decidir quais trechos utilizar e depois ter de limitar seu tamanho. Espero que os conselhos e exercícios lhe sejam úteis. Estou certa de que essas citações o transportarão de volta aos próprios romances e cartas de Jane Austen. Não existe lugar melhor para se visitar.”

Comentários
  • Teremos um primavera com Jane Austen! Vou avisar os/as leitores do meu Jane Austen em Português!

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