Prata da Casa

Encontrando minha voz

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Estagiária de marketing do Grupo Editorial Record, Ana Rosa, de 23 anos, foi vítima de comentários racistas há pouco mais de um mês, depois de publicar um vídeo no Instagram da editora. Na mesma época, ela lia “O ódio que você semeia”, de Angie Thomas, lançamento da Galera, que acompanha a vida de Starr, uma adolescente negra que vê o amigo ser assassinado por um policial. Neste texto, Ana fala sobre como a identificação com Starr ajudou na decisão de não ficar calada.

 

Por Ana Rosa

“Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?”

Voz. Ter voz. Essa é uma coisa complicada pra mim e eu acredito que também seja para diversos jovens negros e negras que estão por aí.

Como a Starr, protagonista de “O ódio que você semeia”, da Angie Thomas, estou aprendendo a ter voz.

A Starr é uma menina negra que vive uma dualidade: ela mora em uma periferia dos EUA e estuda em uma escola particular. Todos os dias ela lida com o fato de ser uma das poucas alunas negras dentro da sala de aula. Tirando isso, sua vida é tranquila: ela gosta de Harry Potter, ama tênis irados e ajuda o pai dela no mercado da família.

A vida dela vai mudar quando seu melhor amigo é assassinado por um policial na sua frente. Khalil estava desarmado e por um movimento equivocado, acabou sendo morto por um policial.

A Starr é a única pessoa que estava lá no momento e, portanto, é a única que pode contar o que aconteceu. Mas será que é tão fácil assim dizer o que se quer dizer?

Para mim nunca foi.

A sociedade em que vivemos busca todos os dias maneiras de apagar o negro. Seja naquele amigo ou amiga que diz que não vai te seguir mais nas redes sociais porque você “posta demais sobre racismo”, seja na mulher feminista, mas branca, que diz que as vivências de mulheres negras e brancas são iguais quando sabemos que são bem diferentes. Enfim, há sempre quem queira te calar. Querem que você pare de incomodar, que você se submeta.

Estamos cansados disso.

É sufocante não falar sobre o que pensamos, sobre o que sentimos e principalmente sobre o que vemos todos os dias. Sobre o racismo que nem sempre se traduz em ser xingada de macaca nas redes sociais ou em ameaças, mas que se esconde na sutileza. Em pequenas coisas pra quem faz, mas enormes pra quem sente na pele todos os dias. Pra quem é marcado.

Starr é todos nós. Todos que buscam suas vozes, todos que são marcados pelo racismo todo dia e escolhem continuar seguindo em frente.

Seguimos marcados, seguimos feridos. Mas seguimos lutando.

“(…)nunca vou esquecer.
Nunca vou desistir.
Nunca vou ficar calada.
Prometo.”

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