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“Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu”, de Simon Goodman

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No outono de 1994, dezenas de caixas com papéis, entre cartas e documentos governamentais, escritos em inglês, holandês, francês, italiano e tcheco, chegaram à casa de Nick Goodman, em Los Angeles. Nick e seu irmão, Simon Goodman, não desconfiavam, mas ali, entre recibos, escrituras, passaportes, catálogos de museus e negativos de fotografias guardados por meio século pelo pai deles, Bernard Goodman, estavam não só a história de seus antepassados judeus, mas também os rastros de um tesouro pilhado pelos nazistas que, anos depois, a família começaria a recuperar. Coube a Simon não só buscar as obras de arte roubadas como contar essa história no livro “Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu”.

Simon Goodman é herdeiro da dinastia bancária dos Gutmann. Seu bisavô, Eugen Gutmann, dirigia o Dresdner Bank e era um dos homens mais ricos da Alemanha. A família colecionava obras de Degas, Renoir, Botticelli e Guardi, entre muitas outras, e um fabuloso relógio de Orfeu do século XIX. O regime nazista, porém, destruiria tudo: o incrível acervo artístico, a imensa riqueza, a posição social de destaque e as próprias vidas da família. Seu pai, que morreu aos 80 anos, em Veneza, era um homem recluso, que não gostava de falar do passado e que guardara segredo sobre a sua busca incessante pela recuperação das obras da família.

“Descobri que, durante meio século após a guerra, papai lutou uma amarga e geralmente malsucedida batalha para recuperar as inestimáveis obras de arte roubadas de sua família – primeiro pelos nazistas, e, depois, por burocratas de mente vazia. Inescrupulosos negociantes de arte e casas de leilão, que agiam com negligência, assim como diretores de museus e colecionadores abastados, todos participantes desse roubo, muito depois de a guerra ter terminado”, escreve Simon Goodman, no primeiro capítulo da obra.

Mesmo antes de a guerra ter início, Bernard começara a se anglicizar. Mudara o sobrenome para Goodman e alistara-se no exército inglês. Simon cresceria em Londres. Quando começou as buscas, descobriu que uma parte da coleção da família tinha ido para Adolf Hitler e Hermann Göring; outra havia sido contrabandeada através da Suíça, vendida e revendida para colecionadores e comerciantes; e muitas peças estavam em famosos museus. Com o auxílio de alguns parentes, deu início ao primeiro caso de saque nazista a ser resolvido nos Estados Unidos.

“Tem sido uma empreitada longa, frustrante e, às vezes, tão cara que beira a ruína. Mas, através dos anos, recuperamos dezenas de pinturas e muitas obras roubadas de nossa família – embora muitas estejam desaparecidas até hoje. Nesse processo, ajudamos a mudar a maneira como é conduzido o aspecto comercial do mundo da arte, frequentemente brutal, e a implementar os novos protocolos e regulamentações governamentais em relação à posse de objetos pilhados. (…) Embora os mortos não possam ser trazidos à vida, ao recuperar o legado roubado de minha família, espero conseguir um senso de justiça há muito buscado”, afirma o autor.

A obra chega às livrarias em outubro, pela editora José Olympio.

Leia aqui o posfácio escrito pelo autor.

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