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Livro “Para Francisco” ganha edição especial pela editora BestSeller

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Acordar. Respirar. Pensar. Existir. Não há um verbo que não doa durante o luto. Talvez dormir alivie, que é quando a dor adormece. Momento em que o medo desperta: será preciso enfrentar o dia seguinte. Perder quem amamos é morrer um pouco. Queremos fugir, perder a memória, emprestar outra vida. Qualquer coisa que nos salve do horror de sentir que alguém foi amputado de nós.

Em janeiro de 2007, uma parte de Cris morreu junto com o marido, Guilherme. Mas havia dentro dela outro coração. E este batia convicto, com ânsia de estreia. Francisco nasceria 2 meses depois. E foi para o filho que Cris começou a escrever. “Eu era a mãe mais feliz. Eu era mulher mais triste – uma dor que parecia fadada a nunca mais terminar. Escrever foi minha máscara de oxigênio”, conta. E quando suas palavras conseguiam fazer o outro vestir o que ela sentia, uma espécie de alquimia transmutava dor em sorriso. Foi assim que ela renasceu.

Cris ainda não plantou uma árvore, chegou a duvidar da sua capacidade de gerar um filho, mas já escreveu quatro livros. Foi “Para Francisco”, no entanto, que fez nascer sua escrita. Encorajada pelo sucesso da obra, a redatora publicitária começou a publicar seus textos. Foi cronista da Veja-BH nos três anos em que a revista circulou na capital. Hoje, escreve nas revistas Encontro e Canguru. E há sete anos assina uma coluna na rádio BandNews FM de Belo Horizonte.

Um dia, deitado no colo da mãe, Francisco tomou o livro nas mãos, leu a dedicatória em voz alta e filosofou: “Se a gente construísse a máquina do tempo, eu ia encontrar meu pai Guilherme, né, Mamãe?” O livro é mesmo uma espécie de máquina do tempo. Capaz de entregar para o filho o pai que faz mais falta nos momentos alegres. Um livro de rara beleza, que desperta o leitor para emoções essenciais e universais, num misto de realidade e poesia.

“Cris transitou entre o céu e o inferno. Poderia ter se entregado à vitimização, mas fez melhor: transformou sofrimento em poesia”, diz Martha Medeiros sobre o livro: “Em tempos onde só se fala em amores fóbicos, ler o texto elegante e inteligente da Cris me fez ter uma nova perspectiva do que é tragédia. Tragédia é não lembrar com doçura. (…) Nunca havia pensando nisso: vemos nossos pais através dos olhos de nossas mães. A narrativa dessa vida-e-morte simultâneas é contada com desembaraço, emoção e nenhuma pieguice, mesmo tendo todos os elementos para virar um dramalhão. Além de um belo livro, Cris Guerra nos deixou um recado valioso: a vida não apenas continua, ela sempre recomeça”, complementa.

A edição ampliada, que chega às livrarias em novembro, traz dez anos de história. Uma seleção de novas cartas e também das Francisquices, cenas divertidas do filho, que hoje tem 10 anos. Não é um livro sobre luto, é sobre a vida. Leia aqui uma das cartas para o menino.

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