Entrevistas

“Sob a luz da escuridão”, de Ana Beatriz Brandão

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Aos 18 anos, Ana Beatriz Brandão é uma das  autoras mais novas do catálogo da Verus e também representa a nova geração de talentos que surgiu na literatura nacional. A paixão pela escrita veio cedo, aos doze anos, e desde então não parou mais. Apesar da pouca idade, Ana  já tem  dois  livros publicados na casa. O terceiro, “Sob a luz da escuridão”, uma distopia onde um ditador inspirado em Donald Trump tomou o poder e deu início a uma série de guerras e perseguições incoerentes, chega às livrarias este mês. Sem se limitar a um gênero literário específico, a autora explora a sua criatividade com a preocupação de deixar uma mensagem ao leitor.  Depois das lágrimas que muitos derramaram com “O garoto do cachecol vermelho” e com o spin off “A garota das sapatilhas brancas” – livros que, aliás, tiveram os direitos vendidos para adaptação e, em breve, ganharão os cinemas de todo o Brasil -, os leitores poderão se aventurar com duas protagonistas fortes e decididas.  “Sob a luz da escuridão” abre uma série distópica e, se depender dos fãs, repetirá o sucesso dos livros anteriores.

1) Depois de lançar dois romances pela Verus, chegou a vez de “Sob a luz da escuridão”, um universo bem diferente, pós-apocalíptico, com seres com poderes especiais na busca pela sobrevivência. Explorar os gêneros literários também é uma das suas características: já escreveu fantasia, romance e agora distopia. Como é transitar entre esses gêneros? Pretende explorar mais algum em um próximo livro?

Não só pretendo como tenho projetos encaminhados! Desafiar a mim mesma com gêneros e assuntos novos é uma das minhas coisas preferidas na hora de escrever. É muito bom descobrir o que se consegue fazer com possibilidades diferentes, e muitas vezes você acaba se identificando com um gênero que nunca pensou que fosse escrever! Se desafiar sempre, esse é meu lema.

2) “Sob a luz da escuridão” é o inicio de uma série que promete ser cheia de ação. O que os leitores podem esperar deste primeiro livro e quando virão os próximos?

Nesse primeiro livro acontecerá a apresentação de um universo completamente novo e de personagens com um passado bem misterioso. Haverá várias cenas de ação e, é claro, bastante romance! Ele está dividido em duas partes: Genesis, onde o mundo e os personagens são apresentados; e Apocalipse, onde tudo o que eles conhecem começa a ruir. Começam as intrigas, complôs, e as cenas de guerra são de tirar o fôlego, afinal tenho que manter minha fama de sádica, né?!

3) À primeira vista, as protagonistas Lolli e Jazz podem parecer diferentes uma da outra. Lolli tem o poder da telecinese,  Jazz sabe manipular o fogo. Lolli é mais velha e muitas vezes se sente responsável por Jazz. Jazz parece ser mais racional, enquanto  Lolli se guia mais pelas emoções. Mas a verdade é que as duas são muito poderosas e independentes. É importante estabelecer esse lugar de fala sobre a força feminina na literatura também? Como você aborda isso em seus livros?

Com certeza! Sempre procuro fazer personagens femininas fortes em minhas histórias. E nem sempre falo de força física ou um super poder. Muitas mulheres em minhas histórias são fortes por terem passado por muitas coisas no passado e conseguido se reerguer, ou se descobrem fortes ao resolver problemas que pareciam insolúveis em suas vidas. Procuro muito encontrar e mostrar vários tipos de força feminina. Acho que já passou da hora de acabar com a história de “mulher é o sexo frágil”. Somos poderosas e temos que conquistar nosso espaço em todos os lugares, não só na literatura.

4)“Sob a luz da escuridão” reflete também sobre como a ganância de um homem poderoso pode levar o mundo a caminhos totalmente obscuros, que beiram a destruição humana.  No que você se baseou para compor o enredo e, dentro deste mundo pós-apocalíptico, o que foi mais difícil de colocar no papel?

Na verdade, eu me baseei no presidente Trump, antes de ele ser eleito, hahaha. Um dia estava vendo TV e ele tinha acabado de anunciar sua candidatura, e minha cabecinha de escritora começou a imaginar o que poderia acontecer se ele fosse eleito, foi aí que nasceu a história do livro. Quando ele foi eleito, eu gelei, agora torço para que o livro continue sendo apenas ficção.

O que foi mais difícil de colocar no papel foi todo esse novo universo quase que completamente destruído por duas guerras, e a construção política do governo após o apocalipse. Quem governaria? Existiriam leis? Como seria a sobrevivência do povo sem os recursos que conhecemos hoje? Acho que essas foram algumas das maiores questões. Mas difícil mesmo foi desenvolver a trama de um dos personagens, mas não posso contar porque seria spoiler.

5) Você começou a escrever aos 12 anos. De lá para cá foram cinco livros publicados. O que mudou na Ana Beatriz nesse tempo?

Acho que aprendi a lidar muito mais com críticas porque enfrentei muito preconceito no início da carreira por conta da minha idade. Amadureci a escrita e como pessoa, então sinto mais facilidade em abordar alguns assuntos mais delicados, como fiz no livro “O garoto do cachecol vermelho”, sem deixar aquele ar pesado, afinal escrevo também para o público adolescente. De resto, ainda me sinto a mesma, só com alguns anos a mais.

6) Você já comentou em entrevistas que a literatura te ajudou a superar o bullying que sofria quando mais nova. Hoje em dia, como autora, você se empenha em tratar de assuntos delicados em seus livros para conscientizar os leitores: já abordou o preconceito e a esclerose lateral amiotrófica, por exemplo. Há outro tema sobre o qual você gostaria de escrever? Qual?

Tenho alguns em mente, mas ainda são segredo, hahaha. O que posso dizer é que, como sempre, o empoderamento feminino está em meus projetos, e o bullying, daquele que leva a vítima ao extremo. É um projeto que estou me preparando há alguns anos para escrever, porque é complexo e vai chocar muita gente. Então, quero amadurecê-lo um pouco mais.

7) Seu público é extremamente fiel, muitos te acompanham desde o seu primeiro lançamento. Sua presença ativa nas redes sociais também aproxima ainda mais os fãs. Como você vê o papel das novas mídias na propagação da literatura e também na quebra da resistência dos leitores quanto à fantasia nacional?

Acho indescritível o quanto as redes sociais são importantes. Manter o contato com os leitores, para responder suas dúvidas e dar alguns conselhos aos novos escritores é sempre essencial. Quando o escritor se afasta daqueles que o impulsionaram a chegar onde está, acabou a carreira dele. Eu tento sempre responder a todos que me enviam mensagens, pode demorar muito, mas procuro sempre falar com eles. E não tem coisa mais emocionante do que ver a felicidade deles quando veem minha resposta. É incrível! As mídias sociais hoje são a forma mais rápida de  divulgar o nosso trabalho, afinal todos estamos conectados o tempo inteiro, e essa facilidade de acesso nos ajuda a mostrar, principalmente para os leitores da minha idade, que a literatura nacional vai muito além dos clássicos que líamos na escola.

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