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Editora BestSeller lança livro de menina que ficou conhecida por relatar no Twitter os horrores da guerra na Síria

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Agora estamos em segurança

Minhas pernas tremiam quando desci do ônibus, como se eu tivesse me esquecido de como é ficar em pé depois de ficar sentada por tanto tempo. Havia muitas pessoas lá com muita comida e muita água para dar para nós e para todas as pessoas dos outros ônibus. Soubemos que uma mulher de outro ônibus tinha até mesmo tido um bebê, e médicos vieram ajudá-la.

Mohamed disse: “Mamãe! Estamos no céu!”

E era assim que estávamos nos sentindo. Fazia tanto tempo que não comíamos, que não sabíamos o que comer primeiro. Queríamos tudo ao mesmo tempo — banana, maçã e pão! E água. A água tinha um gosto muito bom. Tomei três garrafas seguidas. Mas em seguida todos vomitamos por ter comido e bebido tanto, desse modo fizemos uma pausa e comemos de novo.

Depois que eu comi e me limpei, um homem pediu a mamãe e eu que falássemos na televisão a respeito de Aleppo e de como era nos sentirmos seguras.
Depois disso, um médico convidou minha família para ir à casa dele para nos lavarmos. Quando chegamos lá, alguns homens que trabalhavam com o governo turco vieram nos buscar para que pudéssemos ficar em segurança. Os governo sírio não gostava que eu colocasse posts no Twitter dizendo que queria paz, por isso não era bom ficarmos ali, porque ainda estávamos na Síria, embora fosse na zona rural.

Primeiro tivemos que seguir de carro para outra cidade perto da fronteira, e depois fomos de avião para a Turquia. Eu nunca tinha estado no céu antes. Senti uma coisa esquisita no estômago quando o avião subiu no ar. Isso foi em parte porque eu estava com medo de voar e também um pouco assustada e triste por deixar a Síria. No avião, olhei para baixo para ver se eu conseguia avistar Aleppo e dar tchau. Mas estava escuro do lado de fora, e só pude ver algumas luzes. O mundo parece tão bonito lá de cima, com todas aquelas luzinhas e os prédios bem pequenininhos. Eu não conseguia imaginar como alguém poderia jogar bombas nele.
Estávamos todos quietos olhando pela janela. Baba se reclinou e fechou os olhos. Noor e Mohamed tinham pegado no sono. Mamãe estava sentada do outro lado do corredor. Ela se inclinou para mim e sussurrou: “Estamos a salvo agora, Bana. Vamos ficar bem.”

Essa foi a última coisa de que eu me lembro antes de pegar no sono também. Sonhei que estava nadando com Baba, e que estávamos jogando água um no outro. Eu estava rindo muito; e imensamente feliz.

 

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