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“Tite, você merece uma segunda chance”

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Sim, você merece pois resgatou a Seleção da humilhação dos 7×1 em 2014, quando nosso futebol parecia ter acabado. E nos classificou em primeiro lugar nas Eliminatórias.

Você resgatou nos brasileiros o prazer de voltar a sonhar com o hexa.

Você fez um bom trabalho e construiu uma “ Equipe de Média Performance”.  Sem dúvida você formou o melhor time das Américas, mas perdemos para o europeu no primeiro embate sério que tivemos. Aliás há 4 Copas perdemos para os europeus: França, Holanda, Alemanha e ontem para a Bélgica.

Para sermos campões mundiais, você precisa agora transformar o “Bom Trabalho” em “ Ótimo” e a “ Média” em “Alta Performance”.

Temos 4 anos para nos reinventar e você é o mais qualificado para liderar a transformação necessária. Por tudo isso, Você Merece uma Segunda Chance!

Porém, nada de fazer mais do mesmo…

Listo abaixo os 7 pilares que podem ser uteis para você refletir para fazermos esse tão necessário turnaround. Aliás já que usei uma expressão do mundo corporativo (“turnround”) essas dicas também podem ser úteis para Acionistas, Empresários, Executivos, Líderes e Gestores empresariais que precisam transformar suas empresas:

Pilar # 1: Reinvente a Estratégia

Falta um sistema de jogo inovador. Será um erro insistir no drible talentoso como a arma eficaz para destravar sistemas defensivos. O drible é sempre útil no lance decisivo, no corpo a corpo . Mas não como um sistema de jogo. Ainda mais quando o drible é sucessivamente tentado num bloqueio fechado com 3 ou 4 adversários a frente. A “jogada raio x” que quer penetrar na defesa driblando tem de ser a exceção no momento de genialidade, mas não a regra.  Da mesma forma, a empresa que não se reinventar desaparecerá nos próximos anos. O prazo de validade das estratégias empresariais que insistem em ser implantadas em uma realidade que não existe mais está se esgotando. Estratégias disruptivas estão destruindo os negócios tradicionais da noite para o dia. As estratégias já manjadas dos tradicionais campeões do mundo não passaram das oitavas de final.

Pilar 2. Exija o jogo coletivo, a integração do time

Isso mesmo, exija que cada jogador jogue pelo time e não que o time jogue em função de uma estrela. Os times que insistiram em jogar em função de um craque caíram: Alemanha com Toni Kroos, a Argentina do Messi, Portugal do CR7, Espanha do Iniesta, o Brasil do Neymar, o jogador-ator mais preocupado com o cabelo e com as firulas e piruetas do que em fazer o que tinha de fazer: jogar para o time e passar a bola sem o egoísmo de ser o artilheiro. Quando o rapaz acordou, já era tarde. Garotão mimado, precisa de alguém maduro que faça ele ouvir o que precisa, muito além dos bajuladores de plantão. A próxima Copa será a última dele que pode passar para a história como o craque que nunca foi campeão mundial. O que ganha o jogo é o espírito de equipe e não o individualismo exacerbado. Privilégios como o de permitir que sua família se hospedasse no mesmo hotel da delegação — quando os demais 120 familiares dos outros atletas se hospedaram em outro local – não parece ser algo muito correto.  Tem de ser tratado como homem adulto e não como um eterno adolescente cheio de vontades e mimos. Privilégios descabidos destroem o espírito de equipe. A causa raiz dos problemas de muitas empresas reside na falta de integração entre pessoas e entre áreas. Excesso de individualismo é um veneno no esporte e na vida corporativa! Tem de jogar para o time e não esperar que o time jogue para um indivíduo por mais craque que seja. Ouça o Pelé. Estude como fez o João Saldanha em 1970 quando criou as “feras” que ganharam o Tri, antes de ser demitido pelos militares e passar o comando técnico ao Zagallo que herdou um time integrado e disciplinado.

Pilar 3. Invista na Inteligência Emocional de cada um.

Muitos do time pareciam apavorados. Falta amadurecimento, tranquilidade para suportar a pressão. Lembra do Didi em 1958 quando a Suécia, dona da casa, meteu 1×0 no Brasil na final? Ele pegou a bola no fundo da rede, veio caminhando os 52 metros até o meio de campo e conversando com os jogadores. Algo assim:“ Somos melhores, não se deixem abater, vamos virar, concentrem no jogo. Deem o melhor de si. Não vamos repetir o Maracanazo de 1950. Vamos ganhar. Foco no gol!” . Minutos depois viramos o placar e ganhamos de 5×2. O Tiago Silva foi um belo exemplo de como superou o desastre do Mineirão em 2014 e se impôs nessa Copa. Premiaria ele como o capitão do time. Executivos e gestores também precisam aprender a superar adversidades, inspirando  suas equipes na hora do gol contra.

Pilar # 4. Evite a repetição sistemática de jogadas erradas, corrija deficiências.  Dos 8 gols tomados na sua gestão dos 26 jogos, 6 deles foram pelo alto… já tinham errado contra a Suíça, erraram de novo no fatídico gol contra a Bélgica. Faltando treino, treino e treino para mitigar as fraquezas que ficaram evidentes. Lembro do Bernardinho que treina e muito seus atletas, as vezes até exagera, com muita disciplina. Da mesma forma, repetir erros mata o jogo em qualquer empresa.

Pilar # 5. Desenvolva um craque no meio de campo. Falta quem distribua a bola… treine alguém, oriente, molde, você terá 4 anos para esculpir alguém que jogue com a cabeça levantada, olhando o campo e não apenas correndo atrás da bola. Sei que não tem nenhum Zico, Socrates, Falcão, Gerson sobrenado por aí. Mas alerte alguns jovens para isso, desenvolva neles o talento do meio-campista inteligente, arquiteto de jogadas e lançamentos surpreendentes. Falta o maestro que ligue a defesa ao ataque. Analogia com uma empresas industrial: precisa de vendedores (atacantes) e de produtores (defesa), mas é a Logística (meio campo) quem garante que os produtos cheguem nas lojas para o consumidor comprar (esse é o momento do “gol empresarial”).

Pilar # 6. Mais Coragem e maior rapidez nas decisões. Você convocou alguns jogadores que estavam em recuperação física para um torneio pesado e insistiu em manter alguns titulares com desempenho abaixo do desejado, demorando em algumas decisões e substituições. O mesmo ocorre nas empresas, com líderes as vezes indecisos ou complacentes com desempenho apenas regular de seus liderados.

Pilar # 7: Cuidado com o que fala. Desculpe tocar num ponto sensível, mas técnico deve falar no jogo, assim como um juiz deve falar nos autos de um processo. Você saiu falando antes do jogo, cantando a pedra, que ia jogar “ no funil do De Bruyne” , o ruivo belga que infernizou nossa defesa. O técnico belga trocou a posição desse jogador e quem deixou o funil aberto foi a “Avenida Fernandinho”, por onde o Lukaku e o Hazard penetravam, deitando e rolando nas costas do Marcelo e do Fagner. O técnico deve surpreender sempre e só deve “falar” no jogo ou após o jogo! Também na vida empresarial muito executivo se envenena mordendo a própria língua.

Tite, você resgatou a crença no futebol do Brasil, reconstruiu o melhor time das Américas, mas para vencer os europeus ainda tem um pesado dever de casa pela frente. Seu trabalho está apenas começando. Ajude o futebol brasileiro a dar a volta por cima e a se reinventar e oriente os jovens craques a jogarem pelo e para o time e assim estará ajudando a realizar o sonho de 212 milhões de brasileiros em 2022, no Qatar.

Coragem! Força! Avante, aproveite bem sua Segunda Chance!

 César Souza, presidente  do Grupo Empreenda e autor de VOCE MERECE UMA SEGUNDA CHANCE e do best-seller VOCE É DO TAMANHO DOS SEUS SONHOS

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