Dica de leitura

O que aprendi com Jane Austen

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Mais de dois séculos separam o ano de 1817 de 2018. Em 18 de julho daquela época, morria, aos 41 anos, uma das mais brilhantes autoras britânicas: Jane Austen. Sua obra perpetuaria pelos séculos e dedicados seguidores a transformariam em referência nos romances. E como não reconhecê-la como tal? Jane realmente esteve à frente de seu tempo, seja através da força de sua narrativa, uma mescla entre críticas sociais e sua ironia peculiar, seja através de suas personagens femininas, sempre tratadas com igualdade intelectual e moral diante dos homens.

Jane também é exemplo para quem segue os seus passos como romancista. Por isso, convidamos três autoras da casa para contarem como se inspiram na britânica.

Lucy Vargas, autora de “Um acordo de cavalheiros”, fez de Austen um objeto de pesquisa. Seu novo livro na Bertrand Brasil, “A perdição do Barão”, que conta a história de Patrick, um aristocrata inglês totalmente descrente do amor, terá epígrafes da autora britânica na abertura de alguns capítulos.

“Eu queria escrever desde os 10 anos, então Jane já era um tópico fantástico para mim. Mas eu era muito nova e não entendia todas as nuances de suas histórias. Depois, voltei para Jane, mais madura e já com a ideia definitiva de que seria uma escritora e soube então como realmente apreciar sua obra. Ela como pessoa e figura histórica, se tornou um objeto de pesquisa. Afinal, eu logo ambientaria livros na época em que ela viveu. Seus romances sempre serão um exemplo de como ser eternamente uma autora atual. De como construir personagens, como manter a vida de uma trama, como não ser tediosa, etc. Em 1800 ela já sabia o que fazer para criar livros tão apaixonantes que seriam o amor da vida de pessoas em 2018. Por tudo isso e mais, nasceu minha admiração por ela, não apenas por sua obra. É uma eterna fonte de aprendizado e inspiração, para autores querendo escrever romances e para todos que apreciam a leitura.”, disse.

Fã declarada de Austen, Carina Rissi sempre consegue inserir alguma referência à autora em seus livros. Essa é a forma que encontrou para agradecer por tanta inspiração. Às vezes os detalhes passam despercebidos e só um olho mais atento consegue captar. Às vezes nos deparamos com personagens como Ian Clake, por exemplo, o mocinho da série Perdida, que nasceu em 16 de dezembro. Sim, mesma data de nascimento de Austen. Coincidência?

“Acho que Jane Austen me ensinou a ser mais destemida. É incrível como suas heroínas, com delicadeza, sarcasmo e romantismo, me inspiram a também procurar minha força, meu lugar no mundo, e enfrentar os problemas para alcançar o meu final feliz sem jamais perder o bom-humor. Essa é uma das razões pelas quais amo tanto Jane Austen. Ela “fala” comigo. É como se tivesse escrito seus livros só pra mim.”, confessa.

Quem leu “O amante da princesa”, primeiro romance de época de Larissa Siriani na Verus, percebeu que ela também é fã de Jane Austen. Na história, a protagonista Maria Amélia de Bragança, princesa e membro da família real portuguesa, começa a ler “Orgulho e Preconceito”.

“Jane Austen me ensinou que boas histórias ultrapassam tempo e espaço. Não importa em que ano você esteja, de onde você é ou que língua você fale, uma boa história terá o poder de se comunicar com você e de te emocionar em qualquer momento da sua vida.”.

Livros baseados na obra de Jane Austen

jane austen

Em “O diário secreto de Lizzie Bennet” (Verus) Lizzie é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. O livro é inspirado na websérie “The Lizzie Bennet Diaries”, publicada no Youtube. A websérie, aliás, foi traduzida para o português por Larissa Siriani. “Eu fiquei apaixonada e decidi que o mundo todo precisava ver, mesmo quem não falava inglês. Então traduzi todos os episódios.”

Outro exemplo é “Austenlandia” (Record), de Shannon Hale, a protagonista Jane Hayes tem 33 anos e esconde algo constrangedor: é apaixonada pelo personagem Mr Darcy. Até que ela recebe um convite para conhecer a Austenlândia, um misterioso lugar onde todos devem se portar como se estivessem em uma obra da consagrada escritora.

Trocando a ficção pela não-ficção, Jane Austen também inspirou Rebecca Smith em “Clube de escrita de Jane Austen”, lançado pela Bertrand Brasil no ano passado, para comemorar o bicentenário de morte da autora. O livro analisa alguns aspectos da escrita de Jane e ainda compartilha os conselhos que a autora escreveu em cartas para os sobrinhos aspirantes a romancistas.

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