Entrevistas

David Levithan e a representatividade na literatura

2 Comentários

Sua primeira visita ao Brasil é aguardada com ansiedade pelos fãs que participarão da Bienal do Livro de São Paulo neste sábado, 11. Nome por trás do sucesso “Todo dia”, David Levithan é  uma das referências na literatura jovem.  Autor e também editor, Levithan tem um texto característico, que mistura doçura, humor e sensibilidade, em enredos com personagens de todos os tipos, cores, gêneros e sexualidades.  Já colaborou com John Green em “Will & Will: Um nome, um destino”- o primeiro livro jovem adulto com protagonistas gays a entrar na lista de mais vendidos do New York Times – e com Rachel Cohen em “Nick e Norah: uma noite de amor e música”, “Naomi e Ely e a lista do não beijo” e “O caderninho de desafio de Dash & Lily”.

Nesta entrevista com perguntas enviadas por fãs,  Levithan fala sobre representatividade na literatura, sobre a carreira de autor e ainda revela sobre “Someday”, continuação de “Outro dia”. Após o encontro na Bienal de São Paulo, o autor vem ao Rio de Janeiro para sessão de autógrafos na Saraiva do Botafogo Praia Shopping, no dia 13 às 18h. No dia seguinte, ele estará na Travessa do Barra Shopping no mesmo horário.

Gostaria de saber se ao escrever o primeiro livro você já imaginou uma continuação para a história ou se ela só surgiu com o passar do tempo (e também com o pedido dos fãs.) – Paola Alekandra, do blog Livros e fuxicos

Eu já tinha plantado a semente de “Someday” em “Todo dia”, através do personagem do reverendo Poole. Assim que terminei de escrever “Todo dia”, perguntei à minha editora se eu poderia continuar trabalhando em uma sequência – e ela pediu que eu esperasse mais um pouco. Fico feliz em tê-la escutado porque acho que desenvolvi muito melhor esta continuação conforme escrevia “Outro dia” e conforme fui pensando e conversando sobre livros ao longo desses anos.

Sua escrita sempre me toca demais pela sensibilidade que há nela e finalizo as leituras com minhas percepções de mundo alteradas. De que maneira você sente que seus livros já mudaram a vida dos seus leitores (de acordo com os feedbacks que recebe deles)? – Aione Simões, do blog Minha vida literária 

Esse é o maior elogio que alguém pode me dar: dizer que conseguiu se conectar com o livro de uma forma pessoal e reveladora. Mas não penso nisso enquanto estou escrevendo. Quando estou trabalhando, sinto que altero a forma como vejo o mundo ou como vejo as pessoas dentro dele. Estar em uma história fictícia me permite desbloquear ou descobrir todos esses aspectos do nosso mundo real e ajuda a perceber como a vida é. É o mais perto da sensação de magia que eu conheço.

3)  Todo Dia é um dos meus livros favoritos da vida e serei eternamente grata por você tê-lo escrito. Tirei (e tiro) dele inúmeras lições e sensações. Quando você o escreveu, o que você queria que os leitores absorvessem dele? E a expectativa foi atendida? – Aione Simões, do blog Minha vida literária

Eu quis que os leitores fizessem o mesmo questionamento que eu me fiz quando estava escrevendo sobre “A.” Quem eu seria se não pudesse ser definido pelo meu corpo? Isso, para mim, desencadeou vários pensamentos, sentimentos e intuições. Se os leitores puderem ser inspirados desta mesma forma, significa que eu fiz bem o meu trabalho como contador de histórias.

Qual a importância do livro “Todo dia” na sua carreira como escritor? De que forma o “A” contribuiu para a construção dos personagens dos livros seguintes? – Leonardo Oliveira, do canal Um leitor a mais

As respostas de “Todo dia” têm sido maravilhosas e geraram muitos debates interessantes (alguns deles eu fiz parte, outros aconteceram apenas entre os meus leitores). Essa é uma pergunta interessante, sobre como “A” afeta outros personagens. Escrever personagens que não têm um passado linear (quero dizer, “A” conviveu com tantas famílias, amigos, vidas) fez com que eu admirasse ainda mais as histórias de personagens que não mudam de corpo. Além disso, imaginar o que “A” passa através do seu próprio ponto de vista fez com que fosse muito mais interessante ver o mundo pelos olhos de X, de “Someday”, alguém que muda de corpo de uma forma diferente e que têm outras responsabilidades, se comparado a “A”.

Por que você acha que a representatividade é tão importante atualmente? E de que forma você tenta contribuir com ela através dos seus livros? – Leonardo Oliveira, do canal Um leitor a mais

Todo mundo deveria ser capaz de se ver representado nas prateleiras.  Também acredito que se você sente que a sua historia ainda não foi contada, você deve contá-la. Foi isso que eu fiz com o meu primeiro livro: “Garoto encontra garoto”. Eu escrevi a história de amor homossexual que eu gostaria de ver no mundo. Os outros livros vieram após isso. Eu tenho a sorte de, como editor (Levithan é editor da Scholastic e fundador da editora PUSH, que se dedica à literatura para jovens adultos) , descobrir e promover vozes que não são as mesmas que a minha. É tão importante ler e publicar livros que refletem identidades diferentes da sua, em vez de apenas ler sua própria vida e experiência mais e mais!

Em sua carreira você já escreveu em parceria com vários autores diferentes, principalmente em livros onde dois autores escrevem uma mesma história. Qual é a melhor parte de escrever em parceria com alguém? E qual é a parte mais difícil? – Vítor Martins, do canal Vítor Martins

A melhor parte é compartilhar uma história – e sem saber o que virá a seguir. (Quando eu escrevo com outros autores nunca esboçamos o roteiro primeiro, descobrimos a história conforme vamos escrevendo, alternando capítulos.). Eu também escrevo coisas nas quais nunca teria pensado sozinho, e adoro isso. A pior parte? Honestamente, não tem nenhuma. Mesmo se o meu co-autor levasse a história para um lado que eu não levaria, o desafio é segui-lo. Acho que se eu fosse mais teimoso, seria mais difícil. Mas a razão de eu adorar fazer isso é porque eu amo deixar o controle e compartilhá-lo.

Considerando a sensibilidade de seus livros, qual deles foi o mais difícil para você escrever? – Aione Simões do canal Minha vida literária

Essa é uma pergunta fácil de responder: “Dois garotos se beijando”. A narrativa dividida (o livro é narrado por um grupo de homens que morreram de AIDS entre as décadas de 80 e 90) foi o livro mais difícil e desafiador que eu já estabeleci para mim mesmo como escritor. Mas eu acho (e espero) que eu tenha conseguido fazer um bom trabalho.

E como quem trabalha em editora também é fã dos autores, esta que escreve o post também aproveitou para fazer a sua própria pergunta ao Levithan: Se você pudesse escolher um dos seus livros para dar ao Levithan adolescente, qual seria? Qual dos seus personagens seria o seu melhor amigo naquela época?   

Ótima pergunta. Honestamente, acho que o meu “eu jovem” ficaria bem animado com todos os meus livros. Mas vou ficar com “Garoto encontra garoto” porque foi o meu primeiro livro. Além de ser voltado para o público adolescente, a história é mais parecida com o que eu era naquela época. Agora, para ser o meu melhor amigo eu escolheria o Dash, de “Caderninho de desafio de Dash & Lily”. Acho que ele e o Levithan de dez anos seriam uma ótima dupla para irem a shows e livrarias.

 

Comentários
  • Paola Aleksandra

    SÓ SEI SENTIR ♥♥♥

  • Geovana Macedo

    Vcs irao publicar o quarto livro de Conjurador esse ano ainda?

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