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“O encontro marcado” pela centésima vez

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sabino-1 (002)A universalidade dos dramas existenciais típicos dos jovens no início da idade adulta transformou O encontro marcado, do escritor Fernando Sabino, no clássico de uma geração. A busca do protagonista Eduardo Marciano, alter-ego de Sabino, por um sentido para a própria vida se dá em pleno pós-Guerra, numa Belo Horizonte que respirava ares modernistas. O livro impulsionou a carreira de Sabino, que escrevia desde os treze, para além de seu quintal e para além de seu tempo. No dia em que o escritor completaria 95 anos, o Grupo Editorial Record entrega às livrarias a centésima edição de O encontro marcado.

A Record tem a imensa satisfação em contribuir para levar a obra de Sabino a novas gerações desde 1975. Nestas mais de quatro décadas, o título superou os 400 mil exemplares vendidos. Extremamente cuidadoso com sua obra, Sabino era editor de seus próprios livros e escrutinava, literalmente, com régua, qualquer que fosse o ajuste. Não por acaso, a capa simples, de elegante solução tipográfica, se tornou uma marca registrada. Em O encontro marcado, o nome do autor e do livro vem acompanhado por uma síntese que prepara o espírito do leitor: “Ele faria da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procurar um encontro”.

Leia abaixo alguns trechos marcantes da obra selecionados pela editor Andreia Amaral.

 

O livro tem uma série de referências a outros autores, entremeados com o texto do Sabino. No fim da obra, há uma lista com todos os créditos.

 

“Toledo continuava a lhe emprestar livros. Leu os romances brasileiros, alguns franceses, esqueceu tudo em favor de Dostoiévski. Sentia-se encarnado em Raskolnikoff, chegou a pensar em cometer o crime perfeito. Aos poucos se evidenciava para ele a superioridade do ser perseguido sobre o ser perseguidor. Mauro, com quem voltara a encontrar-se, partilhava de igual entusiasmo, era seu cúmplice na aventura…” – o autor faz referência ao personagem do romance Crime e castigo, um dos deslumbramentos literários da sua mocidade, como ele próprio comenta ao fim do livro O encontro marcado.

 

Estes versos que estão na página 69 do romance são uma homenagem do escritor aos poetas Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes:

 

“—Mundo, mundo, vasto mundo!”

“—Grito imperioso de brancura em mim!”

“—Meu Carnaval sem nenhuma alegria!”

(…)“—Mijemos em comum numa festa de espuma!”

 

Para refletir:

“Uma noite Eduardo e Hugo foram ao banco da Praça, já de madrugada, especialmente para chorar. Encontraram-se por acaso numa festa de Carnaval. Em meio à animação reinante, o efêmero das coisas juntou-se ao tempo-versus-eternidade, e não resistiram: foram chorar na Praça o tempo perdido. Mais tarde viriam a saber eu, por um desses milagres de afinidades eletivas que os unia, Mauro, em casa, naquele mesmo instante, chorava também. A incidência no tempo e no espaço.”

 

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