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Clássicos para quem vai fazer o Enem 2018

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O dia mais aguardado do ano para milhares de estudantes espalhados por todo o Brasil finalmente chegou. No próximo domingo, 4 de novembro, acontece a primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem, que contemplará as provas de Ciências Humanas, Linguagens e Códigos e a redação. No segundo domingo, dia 11, é a vez das provas de Ciências da Natureza e Matemática.

Desenvolvido pelo Ministério da Educação em 1998 com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil, o sistema de avaliação foi adotado como critério de seleção de alunos por diversas instituições de ensino superior público, ou com bolsas para o particular. A disputa acirrada exige foco e muita dedicação dos estudantes que, muitas vezes, destinam todo o seu ano de estudos para a prova.

Uma prática comum no processo seletivo é o uso de grandes clássicos da literatura brasileira para a formulação de questões nas provas de humanas ou como recurso de intertextualidade na redação. Para inspirar os candidatos (e todos aqueles que apreciam a literatura nacional), selecionamos alguns títulos que a prova poderia adotar:

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As três marias | Rachel de Queiroz | José Olympio

O trio ficcional é formado por Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José, que se encontram no orfanato e dividem suas histórias dramáticas e seus desejos de liberdade. “Uma volta a um tempo afetivo, à infância, ou, melhor, uma volta a algum rito de passagem difícil de transpor. A separação da família, a solidão e os medos de uma menina neste universo sempre hostil que é o universo dos internatos de moças”, define Heloisa Buarque de Hollanda em prefácio à edição”.

No texto, que a pesquisadora prefere nomear como uma “carta aberta”, ela reflete sobre a resistência de Rachel em ser considerada uma escritora feminista: “Hoje, é impossível não reconhecer, no conjunto de sua obra, a galeria mais expressiva de personagens femininas independentes, destemidas e progressistas de nossa literatura. E aqui vai uma indiscrição: a meu ver, todas, sem exceção, desenhadas a sua imagem e semelhança, quase autobiográficas”, escreve.

No romance de formação, a autora cria novos destinos para as amigas e percorre a fase da juventude e dos dilemas da vida adulta, enaltecendo as escolhas individuais e difíceis de suas personagens femininas. Além do encarte com imagens das primeiras edições e lembranças da amizade das três Marias reais, o livro reúne um posfácio da organizadora Elvia Bezerra, coordenadora do acervo de literatura do Instituto Moreira Salles e também ex-aluna do colégio retratado no livro.

 

 

Vidas secas | Graciliano Ramos | RecordVIDAS_SECAS_CAPA_DURA_FINAL_SIMULADO

Apesar desse sentimento de transbordante solidariedade e compaixão com que a narrativa acompanha a miúda saga do vaqueiro Fabiano e sua gente, o autor contou: “Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo

que mora na zona mais recuada do sertão… os meus personagens são quase selvagens… pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer …porque comumente não são familiares com o ambiente que descrevem…Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não tem tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia] é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos”.

Vidas secas é o livro em que Graciliano, visto como antipoético e anti-sonhador por excelência, consegue atingir, com o rigor do texto que tanto prezava, um estado maior de poesia.

 

 

capa bras cubasMemórias Póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis | BestBolso

Machado de Assis tinha cerca de 50 anos quando começou a escrever Memórias póstumas de Brás Cubas, que é considerado o primeiro romance do movimento realista no Brasil. Brás Cubas, um decadente aristocrata já falecido, resolve escrever sua autobiografia e volta à infância e a outros episódios de sua vida. Em tom ácido, o defunto-narrador rompe com a narrativa linear e objetiva por meio da digressão, e utiliza-se da ironia para retratar e criticar a sociedade carioca do final do século XIX. Com sua proposta ousada de estilo e linguagem, o realismo de Machado de Assis apresenta características precursoras do modernismo, movimento marcante na história da literatura brasileira.

 

Capa O Crime do Padre Amaro MF

O crime do padre Amaro | Eça de Queirós | BestBolso

“Por ironia, num livro em que a maior parte dos personagens ou é beata ou é padre (todos assombrados de perto por um Deus irado e onisciente), a existência nunca foi tão mundana, tão paradoxalmente avessa à espiritualidade.”
Trecho do prefácio de Monica Figueiredo
Grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875, O crime do padre Amaro é a obra mais polêmica de Eça de Queirós. O autor adota um ponto de vista desapaixonado para narrar a história da infeliz Amélia, seduzida pelo inescrupuloso Amaro, que entra para o convento graças à imposição de uma nobre beata. Sem vocação alguma, o padre aceita o seu destino passivamente, mostrando absoluto desinteresse pela profissão que abraça sem entusiasmo, e termina pecando contra a castidade, traindo os votos proferidos na sua ordenação. Amélia, educada em um ambiente fervorosamente católico, acostuma-se a viver em um meio hipócrita. Sua atração pelo padre, pura paixão carnal que a desorienta e destrói, nasce da falta de referências morais e do desconhecimento completo do que seja o amor. Os burgueses, os aristocratas, os políticos, os sacerdotes são os vários componentes de um sistema social decadente e perverso. Os seres humanos não são indivíduos propriamente, mas temperamentos dominados pelo instinto e pelo meio social, que lhes determinam o modo de agir. Com irreverência e sarcasmo, Eça de Queirós tenta resgatar os valores que uma sociedade em declínio havia perdido.

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