Dica de leitura

Corwell explora a intriga no teatro de Shakespeare

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A saga de um ator de teatro iniciante na Inglaterra elisabetana no final do século XVI não era nada fácil. Com os rostos mais limpos, os novatos eram preferencialmente escalados para viver os papéis femininos, pois não havia atrizes. O sonho de muitos destes jovens era ser escalado para viver personagens homens, mas a concorrência era grande, ainda mais se falando do Globe Theatre, palco onde debutaram algumas das mais conhecidas peças de William Shakespeare. Em Tolos & mortais (Editora Record), o britânico Bernard Cornwell lança luz sobre a relação do bardo inglês e seu caçula, Richard, que se vê obrigado a fugir de Stratford Upon Avon depois de arrumar confusão com o seu cruel mestre-artesão. Livremente inspirado nestes dois personagens históricos, Cornwell cria uma trama que vai colocar à prova a conturbada relação fraterna. Cornwell é autor de Crônicas saxônicas, que inspirou a série The last kingdom, em exibição no Netflix.

Tolos-e-MortaisNeste novo romance, Cornwell recria a capital inglesa em toda a sua imundice, com animais circulando pelo meio da rua em meio às pessoas. Tolos & mortais faz o leitor imaginar o mal cheiro daquela Londres que vivia às voltas com uma acirrada disputa política entre protestantes e católicos. Rumores de uma conspiração contra a rainha Elizabeth tornam o ar ainda mais pesado. Em busca de panfletos subversivos, homens leais à soberana fazem uma visita surpresa e nada agradável ao teatro de William Shakespeare, interrompendo o ensaio de uma peça inédita: Sonhos de uma noite de verão. Os atores, que tinha entre suas atribuições cênicas empunhar espadas e floretes, reagem à investida.

Em sua companhia teatral, que ensaiava com regularidade e mantinha uma programação fixa, William tinha de enfrentar também com a inveja de outros grupos e administrar as vontades dos atores. Seu irmão, Richard, era um que há tempos almejava um papel masculino. O primogênito, no entanto, o tratava com o mesmo rigor e rispidez que os outros integrantes da trupe. Ciente desta relação conturbada, um diretor concorrente tenta cooptar o irmão mais novo, que agora se vê diante de um dilema: realizar o sonho de viver um herói, ganhando um ordenado melhor, ou se manter fiel ao irmão indiferente?

“O texto de uma peça é algo precioso, valendo oito, nove ou até dez libras e, portanto, costuma ficar muito bem guardado. Furtar um texto seria trair a companhia, e então titubeei, gaguejei e finalmente me esquivei de responder, dizendo que havia prometido permanecer na companhia do meu irmão durante todo o inverno.

– Promessas em teatros – disse o reverendo William Venables impacientemente – são como os beijos no festival da primavera. Não contam. Vá falar com o Langley.

Porque o conde tinha dinheiro.

E eu, não”

SOBRE O AUTOR

Bernard Cornwell, consagrado autor britânico, teve suas obras traduzidas para mais de 15 idiomas. Seus romances alcançaram o primeiro lugar na lista dos mais vendidos em vários países e venderam mais de 30 milhões de exemplares no mundo todo. Cornwell nasceu em Londres e foi criado em Essex, por pais adotivos. Trabalhou por dez anos na BBC antes de se tornar escritor. Em 1979, mudou-se para os Estados Unidos, onde vive até hoje. Não perdeu, porém, o fino humor britânico e a paixão por conflitos militares famosos, que se reflete em sua enorme coleção de mapas antigos. É autor da série Crônicas saxônicas, adaptada para a TV com o nome O último reino, e das trilogias As crônicas de Artur e A busca do Graal

 

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