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Dias Gomes apresenta microcosmo do Brasil em Sucupira

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Ao transformar sua peça de teatro “O Bem-Amado” em telenovela, em 1973, Dias Gomes fez uma sátira da política brasileira – em especial do coronelismo ainda tão presente no nordeste – no horário nobre da TV, em plena ditadura militar. A novela deu origem a uma série (ou um spin-off, como hoje o conhecemos) e o autor selecionou sete dos episódios para compor este Sucupira: ame-a ou deixe-a, cuja nova edição chega às livrarias em fevereiro pela Bertrand Brasil. O título dá continuidade ao projeto de renovação da identidade visual da obra do autor baiano, que já inclui O pagador de promessas, O berço do herói e O santo inquérito, além do próprio O Bem-Amado.

Usando os conflitos sociais da pequena Sucupira, Dias Gomes cria um microcosmo do Brasil e do que há de pior na vida política do país. Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade fictícia do litoral baiano, é o típico político demagogo que usa o poder, as relações e o dinheiro para conseguir o que quer. Mas o autor faz isso com um humor ímpar e mordaz, criando personagens marcantes – o próprio Odorico e sua fala repleta de neologismos hilários; Zeca Diabo, ex-matador e agora um religioso redimido; as três irmãs Cajazeiras, solteironas e fogosas; e o mendigo Nezinho do Jegue, um apoiador de Odorico quando está sóbrio, e crítico feroz nas fases de bebedeira.

Os sete contos do livro podem ser lidos de forma independente ou em conjunto, e giram em torno das aspirações políticas de Odorico e sua saga para tentar inaugurar o portentoso cemitério de Sucupira. Para esconder suas maracutaias, o prefeito se vale dos mais variados expedientes: finge renunciar e desaparece por uns dias; se esforça para convencer um suicida malsucedido a enfim dar cabo de seu plano; e até tenta esconder um corpo que “não serve” para estrear o cemitério. Quando é flagrado em suas falcatruas, responde com mentiras, culpa a imprensa marronzista ou os políticos que lhe fazem oposição, a esquerda maquiavelenta. Qualquer semelhança…

Dias Gomes nasceu em Salvador, em 19 de outubro de 1922, e morreu em São Paulo, em 18 de maio de 1999. Foi um dos mais prestigiados dramaturgos e autores de telenovelas brasileiros do século XX. É autor de, entre outras obras, O santo inquérito, O bem-amado, e O berço do herói, adaptada para a televisão como Roque Santeiro, uma das mais famosas e celebradas produções brasileiras de todos os tempos. A Bertrand Brasil publica a obra completa do autor.

 

 

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