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Literatura non-sense que inspirou Murakami volta às livrarias

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Expoente da geração beat, movimento contracultural que surgiu em São Francisco, nos Estados Unidos, Richard Brautigan teve uma vida tão incomum que seria digna de uma das ficções escritas por ele. Abandonado em um quarto de ser hotel aos seis anos junto com a irmã de apenas dois, aos 20, ele pensou numa forma de ser preso para fugir do frio e da fome. Decidiu, então, quebrar uma janela para que sua apreensão fosse justificada. Depois de um tempo detido, foi encaminhado para um hospício. Seu diagnóstico: esquizofrenia e depressão. Após terminar a terapia com eletrochoques, começou a escrever e publicar seus primeiros livros de poesia. Em 1967, lançou “Pescar truta na América”, seu primeiro livro em prosa, que chegou a alcançar a marca de dois milhões de exemplares vendidos à época.

A obra, que estava fora de catálogo desde 1991, retorna agora às livrarias pela José Olympio. Um dos mais cultuados autores da atualidade, o japonês Haruki Murakami inclui Brautigan entre suas influências mais decisivas. “A primeira vez que o li, fiquei surpreso de descobrir que podai existir livros como aqueles. Foi como desembarcar no Novo Mundo”, declarou Murakami.

Vindo de um ícone da contracultura, já se pode imaginar que um título Pescar truta na América pode não querer dizer exatamente o que parece. Não se trata de um livro de memórias do autor, que realmente apreciava pescaria, muito menos um manual de pesca. Nunca foi a pretensão de Richard Brautigan explicar cada detalhe de uma história ou narrar no sentido tradicional. Sua literatura embarca no universo do absurdo. Sem a preocupação com um enredo clássico e que aponte para o possível.

Em Pescar truta na América, Brautigan traduz seu espírito lisérgico em um romance metaliterário, sem sequência temporal, de capítulos curtos – que podem ser lidos quase que de forma independente – e ligados por um mesmo assunto, o ato que dá título à obra. Assim, “pescar truta na América” pode ser um hotel, um balé, uma passeata, uma mensagem para caçoar calouros ou um rico gastrônomo que namorava Maria Callas.

Ainda que o livro não seja de memórias, há referências à infância de Brautigan no noroeste dos Estados Unidos, à vida adulta em São Francisco e a uma viagem de acampamento com a mulher e a filha.

Durante esse passeio pela narrativa non-sense, o leitor se depara com uma receita para fazer ketchup de nozes, conhece um ‘ lírio-cobra que é próprio balé Pescar truta na América, descobre que Pescar truta na América é uma das melhores coisas que existem para lembrar nomes de filhos’ e embarca numa ‘passeata pescar truta na américa pró- paz’. Como diz o tradutor José J. Veiga, “a leitura de qualquer livro de Brautigan é uma aventura literária rara. Nunca se sabe o que vem a seguir, e o que vem é sempre uma surpresa”.

Richard Brautigan nasceu no dia 30 de janeiro de 1935, em Tacoma, Washington. É autor de dez romances, nove volumes de poesia e uma coletânea de contos. Brautigan foi um ídolo literário dos anos 1960 e começo dos 1970, cujo talento cômico e visão iconoclasta do estilo de vida americana atraíram a atenção de jovens do mundo todo. Ficou conhecido como “o último dos Beats” e seus primeiros livros se tornaram leitura obrigatória para a geração hippie. Um deus da contracultura, cometeu suicídio em Bolinas, na Califórnia, aos 49 anos.

 

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