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O diálogo de FHC com os jovens em livro

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Em 2013, diante do cenário em que o país se encontrava, a educadora Daniela de Rogatis procurou o Presidente Fernando Henrique Cardoso para dialogar sobre a juventude e a transição geracional que o Brasil começava a viver. A motivação do encontro era, tendo em vista as pesquisas e trabalhos que vinha desenvolvendo junto aos jovens das principais famílias empresarias brasileira, discutir a realidade do impacto da ausência de lideranças para o futuro e o sentimento de impotência de uma geração frente a realidade do contexto que se apresentava para o Brasil e a realidade de transformação que o século 21 propõe. Muitos dos jovens começavam a pensar em deixar o pais, e a razão principal era a ausência de exemplos inspiradores que oferecessem uma referência para pensar o pais e pela falta de clareza de como em sentido prático mudar a realidade.

Deste encontro, nasceu o programa Legado para a Juventude Brasileira, que, desde então, se reúne mensalmente para discutir o papel dos jovens na construção do futuro e os caminhos práticos para que o jovem possa exercer seu papel de protagonismo nesta mudança geracional. Daniela aplicou seus conhecimentos técnicos para criar um programa com uma abordagem capaz de inspirar e ampliar a protagonismo desses jovens e Fernando Henrique Cardoso trouxe sua experiência e sua bagagem de referências para construir a base sobre a qual o jovem pode construir sua visão de futuro. Os diálogos surgidos neste fórum dão origem agora ao livro Legado para a juventude brasileira – Reflexões sobre um Brasil do qual se orgulhar, lançamento da Editora Record.

Capa Legado para ajuventude brasileira v2 MF

Legado para a juventude brasileira

Fernando Henrique Cardoso e Daniela de Rogatis

252 páginas

R$44,90

Editora Record | Grupo Editorial Record

 

 

 

Na obra, o espírito do diálogo foi mantido. Ao longo das páginas, a dupla de autores discute o contexto e os desafios do Brasil, o papel do Estado, do empresariado e da sociedade civil de uma forma geral. A crítica à forma como a política é feita no país e à gestão pública são inevitáveis. A educadora faz uma convocatória a uma geração de jovens pela participação e protagonismo que ganham respaldo e referências na visão otimista e de longo prazo do ex-presidente, apesar de sua nítida preocupação no horizonte mais próximo. “A demagogia tem forte apelo para a mídia, pois o demagogo acaba se destacando por suas bizarrices. Como seres humanos não são só racionais, mas também emotivos, e até irracionais, eles “vão na onda”. Por isso, temos de tomar cuidados com essas ondas todas, sobretudo no momento atual do país, que virou um campo fértil para os demagogos”, alerta o ex-presidente.

Na análise sobre a atual conjuntura, Fernando Henrique alerta para o total descrédito dos partidos políticos e das instituições, que precisam encontrar meios de repensar seus papéis num mundo em que a comunicação se faz de forma direta, sem qualquer tipo de intermediário, indicando a importância de uma atuação direta da nova geração de brasileiros na construção destas novas formas de fazer política, de pensar a democracia, de pensar o Brasil. Esta crítica encontra eco nos escritos da co-autora de Legado para a juventude brasileira – Reflexões sobre um Brasil do qual se orgulhar, quando ela sentencia: “A juventude é o motor do futuro. E ela que move o processo de transformação da sociedade, renovando os ideais, decantando as ideias, forjando os novos valores e transforma pouco a pouco o sonho de futuro em realidade. Cada geração herda da anterior um país com certas características e, se não se omitir do papel a que é chamada, transforma-o em uma nova direção”.

Em meio a tantas reflexões instigantes, FHC revisita sua própria trajetória, desde os tempos de USP, e retroagindo a seus familiares, abrindo uma rara brecha para um período raramente mencionado. Seus antepassados participaram ativamente em alguns dos principais acontecimentos políticos desde a derrubada do Império no fim do século XIX. Alinhado aos ideais positivistas, seu avô lutou pela implantação da República, alcançando a patente de marechal no novo regime. O pai seguiu a carreira militar tomando parte nos movimentos tenentistas de 1922, 1924 e 1930. “Não costumo falar da minha trajetória familiar, pouco falo das minhas origens e do tipo de formação que recebi, mas creio que nos contextos dessas exposições isso é relevante, para mostrar como vamos filtrando as experiências e filtrando nossa existência”, justifica.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO nasceu no Rio de Janeiro em 1931. Sociólogo, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), lecionou também nas Universidades de Santiago, Stanford, Berkeley, Cambridge, Paris Nanterre e Collège de France. Foi senador pelo estado de São Paulo entre 1992 e 1994; ministro das Relações Exteriores e da Fazenda; e presidente do Brasil entre 1995 e 2002.

DANIELA DE ROGATIS nasceu em São Paulo, em 1974. Educadora e pesquisadora na área de educação, tem especialização em biologia cultural pelo Instituto Matriztico e nas temáticas do futuro da educação no Project Zero da Universidade de Harvard.

 

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