Palavra do autor

Nos 100 anos de Jango, Wagner William relembra a ex-primeira-dama

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Há histórias que ficam soltas na imaginação, nos olhares, nas páginas definitivas de verdades provisórias. Enquanto espera, a folha em branco, indefesa, ganha versões impossíveis, exagerados juramentos e estranhas testemunhas.

Contada por bocas e memórias não tão desinteressadas, a saga da mais comentada e menos ouvida primeira-dama do Brasil foi reescrita antes mesmo de ser escrita. E assim, sobre ela, passou-se a ecoar à exaustão as mesmas ladainhas há anos, como se essa repetição conseguisse transformar em reais fatos que jamais aconteceram, ou pudesse apagar dores que nunca foram reveladas.

Alguns clichês e chavões brotaram, não há como negar, para atacar um presidente que está longe, muito longe, de ter sido entendido. Sabe-se, por exemplo, mas não se sabe tanto assim, que o marido dessa primeira-dama começou a fazer as reformas política, administrativa, eleitoral, agrária e universitária tão debatidas a cada troca de faixa presidencial. E que sofreu um Golpe logo em seguida.

Era o Brasil cumprindo o seu destino.

Mas era para o nosso bem, pelo menos assim conta a História (dessa vez, com H maiúsculo). Como já havia ensinado o escritor italiano Primo Levi: “de todo o modo o vencedor é dono também da verdade, pode manipulá-la como lhe convier”. Ficava mais fácil e cômodo aceitar como inquestionáveis todos comentários e sussurros que surgiram no vazio que se seguiu.

No perfeito vazio, a verdade conveniente.

Este livro nasceu dessa unanimidade de pensamento. Afinal, era tão óbvio e claro o que a folha em branco aceitou – por preguiça, interesse, temor ou maldade – a respeito de João Goulart e Maria Thereza Goulart que não valia a pena nem ousar questionar.

Por nunca encontrar uma palavra sobre lembranças que insistem em não ir embora, e de tanto ouvir e ler sobre o que nunca viveu, Maria Thereza Goulart, ao longo dos anos de exílio e solidão em que buscava reencontrar um país que não mais existia, preferiu o silêncio.

Mas jamais aceitou o silêncio que preferiu.

O mesmo silêncio que grita neste livro.

Comentários
  • Não li, mas acredito que seja outro belíssimo livro do autor do “Soldado Absoluto”, a melhor biografia da vida e da trajetória política do marechal Lott. Parabéns à editora e o autor pelo lançamento, na hora certa. O Brasil precisa saber que se as reformas de base tivessem sido feitas no início da década de 60, hoje seríamos uma potência mundial maior e mais forte do que a China. Fico com o embaixado Ítalo Zappa, com quem tive a honra de trabalhar em Moçambique, no seu primeiro posto como embaixador, no exterior: “O destino do Brasil é ser uma grande potência”.

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