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O espectro autista

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Os transtornos do espectro autista podem ser definidos como condições comportamentais caracterizadas por prejuízos no desenvolvimento de habilidades sociais, na comunicação, na cognição da criança e com o aparecimento dos sintomas nos primeiros anos de vida.

Essas condições podem se apresentar de diversas formas, compreendendo um universo de possibilidades sintomatológicas, cada caso apresentando particularidades individuais que merecem cuidados e intervenções individualizadas.

Você já ouviu provavelmente aquela frase: “No autismo, cada caso é um caso diferente”; portanto, devido à complexidade e de todo universo de problemas comportamentais e de desenvolvimento que podem estar presentes, múltiplas possibilidades de intervenção são possíveis e necessárias para ajudar na melhoria dos sintomas nessas crianças e adolescentes.

O autismo foi inicialmente descrito de forma brilhante pelo médico, pesquisador e professor da Johns Hopkins University, o médico psiquiatra infantil austríaco Leo Kanner, em 1943. Ele publicou um artigo científico com o relato de onze crianças que apresentavam três características comuns entre elas e que as tornavam muito diferentes do comportamento usual de jovens da mesma idade: um desinteresse e inabilidade de se relacionar com outras pessoas; um desenvolvimento peculiar da linguagem verbal, marcada por ecolalia (repetição de palavras ouvidas pela criança); presença de estereotipias (repetição de movimentos corporais sem propósito aparente); e inversão pronominal (crianças que se chamavam na terceira pessoa), por exemplo, dizendo: “Pedro quer água” ao invés de dizer: “eu quero água”, ou ainda, chamando a si próprio de “ele” ou “ela”.

Os transtornos do espectro autista apresentam uma incidência estimada de 1% de crianças e adolescentes em todo o mundo, segundo diversas pesquisas internacionais realizadas nos Estados Unidos, Europa e Asia. Isso representa mais de seis milhões de crianças e adolescentes brasileiros portadores de algum transtorno do espectro autista.

Outro dado epidemiológico importante é que a ocorrência de autismo é maior no sexo masculino, afetando cerca de cinco meninos para cada menina acometida. Sendo assim, estima-se que ocorra um caso de autismo para cada 42 nascimentos de meninos, enquanto que para o sexo feminino a relação seria de um caso para cada grupo de 189 meninas.

Vale destacar um grande estudo publicado em 2016 pelo CDC – Center for Disease Control and Prevention (Centro de Controle de Doenças e Prevenção), órgão governamental americano com cede em Atlanta, Geórgia, que divulgou dados impressionantes a cerca da incidência de autismo nos Estados Unidos. Segundo o levantamento americano, cerca de 1 para cada 59 crianças são portadoras de um transtorno do espectro autista.

Esses dados são resultado do estudo de monitoramento chamado: Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, (Rede de Monitoramento de autismo e Transtornos do Desenvolvimento) realizado a cada dois anos em que são estudadas as incidências dos transtornos do espectro autista em diversas comunidades de todo o país.

Desta forma, os transtornos do espectro autista ilustram um grande problema de saúde pública e que deve ser enfrentado com a participação e apoio de toda a sociedade civil, além de representantes do poder público. Precisamos desenvolver estratégias e projetos na área da saúde e educação que incluam essas crianças e suas famílias

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