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Liderança com ousadia, por Brené Brown

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Para Brené Brown, um líder é qualquer um que assuma a responsabilidade de encontrar potencial em pessoas e processos, e que tenha a coragem de desenvolver esse potencial. Após décadas de estudos de emoções e experiências que dão sentido a nossa vida, a autora se dedicou ao trabalho com líderes e equipes em todo o mundo.  No livro “A coragem para liderar”, ela faz uso de sua pesquisa, histórias e experiências reais para entender como é possível cultivar líderes mais corajosos e ousados, e como fazer da coragem um valor sólido na cultura empresarial.

Brené afirma que os seres humanos aprendem a usar pensamentos, emoções e comportamentos como armas. Para nos protegermos da vulnerabilidade, de sermos magoados ou diminuídos, vestimos armaduras e nos tornamos escassos. Entretanto, para viver com coragem, propósito e vínculo, ou seja, para sermos a pessoa que desejamos ser, é preciso sermos vulneráveis e nos livrarmos da armadura. “Precisamos tirar a armadura, soltar as armas, comparecer e permitir que nos vejam”.

O oposto de uma liderança com armadura é uma liderança com ousadia. E para inspirar relações de liderança mais ousadas, listamos cinco exemplos que a Brené Brown observou em organizações (e conta que tem grande aplicação também na vida pessoal):

1) Demonstrar e encorajar o empenho saudável, a empatia e a autocompaixão, ao invés de estimular o perfeccionismo e promover o medo de falhar.

Para a autora, o perfeccionismo é um sistema de crenças autodestrutivo e viciante, uma vez que a perfeição não existe. Ele alimenta o seguinte pensamento destrutivo: se eu parecer perfeito e fazer tudo com perfeição, posso evitar ou minimizar os sentimentos dolorosos de culpa, julgamento e vergonha. Assim, ela recomenda que se esclareça, em equipe, onde se é mais propenso a ser engolido pelo perfeccionismo e onde ele aparece; se existem maneiras de se comunicar que funcionam para todos. Assim, é possível aumentar o desempenho e desenvolver a confiança no processo.

2) Praticar a gratidão e comemorar feitos e vitórias, em oposição a ideia de trabalhar usando a incerteza e desperdiçar oportunidades de alegria e reconhecimento.

Brené conta no livro que, estatisticamente, 90% das pessoas já anteciparam tragédias em momentos de intensa alegria. E isso acontece porque a alegria é o sentimento mais vulnerável do ser humano. Quando não é possível tolerar um nível de vulnerabilidade tão intenso, que mistura beleza, gratidão profunda e efemeridade em uma única experiência, a alegria se torna um mau presságio. No trabalho, o mau presságio da alegria se expressa de forma sutil. Como exemplo, Brené cita a recusa em dar reconhecimento a um funcionário, por não querer que ele fique muito empolgado tendo em vista que existe ainda muito trabalho a ser feito. Ao contrário disso, ela recomenda que se incorpore a prática de gratidão, que funciona como o antídoto para o mau presságio da alegria. A autora aponta que algo simples como iniciar ou encerrar reuniões com um momento de gratidão pode gerar confiança e vínculo, fazendo toda a diferença.

3) Ser um aprendiz e fazer bem-feito, ao invés de ser um “sabe-tudo” e estar sempre certo.

A autora coloca que a necessidade de ser o “sabe-tudo” é uma armadura pesada e representa uma atitude defensiva, de presunção e, pior, é um grande propulsor de besteiras. Para ela, a grande transformação em um comportamento de liderança com ousadia é sair da vontade de “estar certo” para a vontade de “fazer bem-feito”.

4) Usar o “poder com”, o “poder para” e o “poder dentro”, em oposição a ideia de usar o “poder sobre”.

A vida em empresas é essencialmente hierárquica, com raras exceções. Segundo Brené, a hierarquia pode dar certo, exceto quando os indivíduos em posição de liderança detêm poder sobre os outros, ou seja, quando suas decisões beneficiam uma minoria e oprimem a maioria. A ideia de “empoderar” pessoas, para a autora, segue três elementos: 1. O poder com: “se trata de encontrar um meio-termo diante de interesses diferentes, a fim de formar uma força coletiva”; 2. O poder para: significa dar a todos na sua equipe uma função e reconhecer o potencial único de cada um; 3. O poder dentro: definido como a capacidade de reconhecer diferenças e respeitar os outros, fundamentada em uma base sólida de autoestima e autoconhecimento.

5) Saber seu valor, em oposição a lutar para ter valor.

Pessoas que não conseguem identificar suas habilidades e onde agregam valor para a organização, ou mesmo para um projeto específico, começam a lutar, mas não de um jeito bom. De um jeito que fica difícil de lidar para quem está em volta, pois entram de cabeça em tudo, mesmo naquilo em que não são boas ou simplesmente não são necessárias. De acordo com Brené, “líderes ousados se reúnem com suas equipes e promovem confrontos verdadeiros a fim de abordar as contribuições específicas de cada membro, para que todos saibam no que são bons”. Ter certeza do próprio valor e do valor dos membros da equipe abrem caminhos em vez de criar competição.

 

 

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