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Missão dada é missão cumprida, por Paulo Storani

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O sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói com 37 reféns trouxe à tona a lembrança de outro episódio dramático com um coletivo há quase 20 anos. O caso da linha 174 é citado no livro ‘Vá e vença’, do consultor em segurança pública Paulo Storani, capitão veterano do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) que aplica a filosofia do batalhão ao mundo corporativo. No livro, Storani conta como o desfecho daquele caso fez o batalhão rever procedimentos e protocolos. A atuação precisa na ponte foi uma mostra da atuação da unidade que mais salva reféns no país. A morte do sequestrador é um fato a se lamentar, mas não se pode ignorar que 37 vidas foram salvas.

Criada a partir de uma necessidade operacional da segurança pública a unidade de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro nasceu em razão de uma crise. Em 1974 aconteceu uma rebelião no presídio Evaristo de Moraes e terminou com todos os reféns e os rebelados  mortos durante a invasão das instalações pelas forças policiais. Então, um capitão da PM que havia aconselhado a não invadir o local, considerando a falta de conhecimento das técnicas adequadas para a ocorrência foi incumbido de propor uma solução.

Dois anos após a crise foi sugerida a criação de um grupo especial nos moldes das equipes policiais que surgiram nos Estados Unidos a partir de uma decorrência desastrosa com reféns em 1972 em um banco em Nova York. Baseado nas estruturas das Unidades de Armamento e Táticas Especiais – SWAT-, o projeto para a criação do Núcleo da Companhia de Operações Especiais – NuCOE- só foi aprovado em 1978, com a missão de atuar em ocorrências que exigissem condições técnicas, físicas e psicológicas específicas.

Inicialmente, com oito policiais militares selecionados por um rígido processo, que considerava habilidades adquiridas em treinamento nos cursos como o de Guerra na Selva, do Exército, e no curso de Comandos Anfíbios, da Marinha, a primeira etapa foi desenvolver o perfil físico e psicológico dos futuros membros, além do programa de qualificação do primeiro Curso de Operações Especiais. Duzentos voluntários se submeteram ao rigoroso processo seletivo dos quais vinte e dois candidatos foram aprovados e somente doze concluíram. Esses vinte integrantes (os oito policiais instrutores mais os doze aprovados no curso) são considerados os fundadores do atual BOPE e os responsáveis por colocar de pé com as próprias mãos o projeto. Sem receber recursos financeiros e materiais para desenvolver a estrutura mínima necessária para a instalação física, a aquisição de viaturas, de armamento e de equipamentos, tudo era conseguido mediante empréstimo ou doação de outras unidades policiais e militares das Forças Armadas. Como a maior parte dos materiais recebidos era obsoleta ou necessitava de reparos, os fundadores se instalaram inicialmente em barracas de campanha montadas na área do centro de treinamento da Polícia Militar, até conseguirem a permissão para ocupar um prédio antigo e abandonado do local, que eles mesmos reformaram.

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